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Jornalistas comemoram o 8 de Março e lançam cards com as pioneiras

Pelo segundo ano consecutivo, as mulheres estiveram na linha de frente no combate à pandemia de Covid-19. Mulheres são a maioria da classe trabalhadora em diversas áreas consideradas essenciais, inclusive no Jornalismo. Entretanto, continuam sendo, em especial as mulheres negras, as que recebem menos, as que ocupam menos cargos de chefia, as que estão mais expostas ao assédio moral e sexual e às demais violências relacionadas ao trabalho.
Um monitoramento realizado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), financiado pela UNESCO, com apoio da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), mostrou que, no ano passado, as jornalistas foram os principais alvos de casos de violência contra profissionais da imprensa. Foram registrados 119 casos, 91,6% do total dos casos contra jornalistas. Além disso, como as demais mulheres trabalhadoras, as jornalistas foram as mais afetadas pela crise sanitária, econômica e social que se aprofundou desde 2020.

As jornalista sofreram com a sobrecarga de trabalho, com as duplas e às vezes triplas jornadas de trabalho; com o teletrabalho em condições precárias, acumulando as demandas domésticas, além do desemprego e da carestia. As jornalistas sofreram ainda o constante ataque do governo de Jair Bolsonaro e seus aliados, na capital do país, nos estados e municípios.

TRABALHO DECENTE
E SEM VIOLÊNCIA

Diante de tanta precarização das condições de trabalho, a Comissão de Mulheres Jornalistas da FENAJ (Federação Nacional de Jornalistas) adotou como tema para marcar o Dia Internacional de Luta das Mulheres – 8 de março de 2022, “Trabalho decente e sem violência para as jornalistas – pela Convenção 190 da OIT”! Neste sentido, publicaram um documento exigindo trabalhao em segurança e com condições decentes, para que possam continuar fazendo do Jornalismo um instrumento de defesa da democracia, de transformação social e de combatoe às opressões.
A Convenção 190 traz avanços importantes, como ampliar o entendimento do que seja violência e assédio e tratá-los não apenas no local de trabalho mas no mundo do trabalho. A Convenção 190 avança também ao eleger a igualdade de gênero como pilar do trabalho decente, imprescindível à dignidade das trabalhadoras.

Por isso, neste 8 de Março, a jornalistas reivindicaram o direito a uma vida melhor e reverenciaram 8 mulheres que fizeram história no jornalismo brasileiro, para inspirar suas lutas e seus desafios. São elas, as nossas pioneiras heróicas: Nisia Floresta, Josephina Azevedo, Julia Medeiros, Almerinda Gama, Antonieta de Barros, Eneida de Moraes, Patrícia Galvão (Pagu) e Beatriz Nascimento.

HOMENAGEM
ÁS PIONEIRAS

Nísia Floresta foi educadora, jornalista, escritora e poeta, defensora dos ideais abolicionistas, republicanos e feministas. Foi primeira mulher a publicar textos em jornais no País. Josephina de Azevedo foi jornalista, escritora, poeta e precursora do feminismo no Brasil. Em 1888 fundou o jornal A Família que defendeu os direitos das mulheres na política. Júlia Medeiros teve uma longa carreira no magistério, lutou pela igualdade dos sexos e foi pioneira no jornalismo, com atuação destacada na política.
Almerinda Gama foi sindicalista, jornalista, advogada e uma das primeiras mulheres negras a atuar na política. Delegada sindical, foi também a única mulher a votar na Assembleia Constituinte de 1934. Antonieta de Barros foi professora, jornalista e a primeira deputada estadual negra eleita no Brasil. Eneida de Moraes, jornalista profissional, foi repórter e cronista, tendo publicado 11 livros. Um deles, “História do carnaval carioca”, virou referência nacional na história do samba.

Patrícia Galvão, a Pagu, musa do Modernismo, foi jornalista, romancista, poetisa, desenhista, militante política e produtora cultural. Mulher à frente do seu tempo, quebrou padrões, participou de greves e foi presa 23 vezes. Beatriz Nascimento atuou na imprensa e no movimento negro, mas teve sua vida pessoal e profissional interrompida por um feminicídio. Colaborou com revistas e jornais, mas seu maior trabalho é o documentário Ori, sobre movimentos negros no Brasil.

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