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O e-book “Folias de Saquarema: dois aspectos da cultura popular” pode ser acessado gratuitamente na internet

Procissão do Divino descendo a escadaria da igreja após a missa de Pentecostes (Foto: Paulo Lulo)

Um e-book é um livro publicado somente na internet; não é impresso. E sendo assim, os custos baixam muito, tendo em vista que os maiores custos na impresão de um livro são o papel e a tinta, sempre reajustados pelo valor do dólar, pois são em maioria importados. Foi o que aconteceu com o livro Folias e Saquarema: dois aspectos da cultura popular, da jornalista Dulce Tupy, editora do jornal O Saquá e diretora da Tupy Comunicações.

Vencedora do Prêmio Alberto de Oliveira, da Lei Aldir Blanc 2020, promovido pela Prefeitura Municipal de Saquarema (PMS), o livro foi editado como e-book, no final de novembro de 2021, tendo sido publicado no site da Tupy Comunicações: tupycomunica.com. Pode ser baixado gratuitamente. E deverá ser publicado também no site da PMS, para ampliar o alcande de seu público albo e para que mais leitores tenham acesso. No entanto, apesar de toda a tecnologia digital, o livro impresso tem seus atrativos particulares, a começar pela tradição. Quem não gosta de folhear um belo livro, com ilustrações e legendas?

FOLIA DE REIS

Portanto, no segundo Edital da Lei Aldir Blanc, lançado em 2021, o projeto de impressão do livro foi contemplado e em breve será executado, para plena satisfação da autora e deleite dos leitores que já podem curtir o livro na internet, mas gostam e esperam também a edição impressa. Com 63 páginas, ilustrado, com um design arejado e criativo, o livro será a única maneira dos leitores contemplarem a beleza da Folia Estrela Dalva do Oriente, do mestre Boca de Velho, de Sampaio Corrêa, falecido em maio do ano passado.

A Folia de Reis Estrela Dalva do Oriente na varanda da casa do Boca de Velho (Foto: Edimilson Soares)


A Folia de Reis Estrela Dalva do Oriente, depois chamada apenas de Estrela do Oriente, resistiu o quanto pode, apesar do falecimento de muitos de seus membros, devido à idade avançada que tinham, sem deixar substitutos para manter a tradição. Vários fatores também influíram para que a Folia de Reis não sobrevivesse em Saquarema, sobretudo o fator econômico como pano de fundo e o crescimento das igrejas evangélicas que não praticam essa manifestação típica da religiosidade popular católica.

FOLIA DO DIVINO

Porém, a Folia do Divino permanece com a sua ancestralidade até hoje, tendo no “Império”, uma espécie de coreto construído em frente à Praça Oscar de Macedo Soares, também conhecida como Praça do Artesanato, no centro de Saquarema, sua percepção mais concreta, aparente, testemunha da história. Muito mais antiga que a Folia de Reis, a Folia do Divino é uma festa que se realiza durante o dia, num data móvel do calendário católico cristão, que coincide com o Dia de Pentecostes.

Ao longo dos anos, a Folia de Reis se desgarrou da igreja – ou foi rejeitada por ela – sobrevivento apenas numa minúscula capela, um puxadinho na casa do mestre Boca de Velho, na Basiléia, em Sampaio Corrêa. Já a Folia do Divino tem apoio não só da igreja, através da Paróquia de Saquarema, e da Irmandade de Nossa Senhora de Nazareth. Então, a Folia de Reis desapareceu no final de 2019, quando faria 50 anos de existência. Mas a Folia do Divino permanece, com seus objetos litúrgicos, seus costumes e o especial rito da “benção da mesa”.

Verdadeiros aspectos da cultura popular imaterial de Saquarema, as duas folias são traços característicos da história do povo local, com suas particularidades. Este ano, Cabo Frio fez uma festa para saudar as suas duas folias de reis. Lamentavelmente, a Folia de Reis Estrela do Oriente se calou para sempre, mas ficou na memória de seus foliões e no registro documental da jornalista que se encantou com o rufar dos tambores, com o brilho das fardas e dos quepes, como a magia da bandeira e com o canto medieval entoado pelo mestre Boca de Velho, no ritmo do seu apito frenético, que já não se ouve mais.

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