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Um setembro tumultuado, mas com esperança na primavera

Editorial - Dulce Tupy

Não foi fácil digerir o início de setembro, com as manifestações promovidas pelo governo federal balançando o coreto! Em Brasília e principalmente em São Paulo, o presidente Jair Bolsonaro saiu da linha. Como se fosse um homem qualquer, desceu de sua posição de presidente de um país e fez discursos recheados de baixarias, culminando com o xingamento de “canalha” dirigido ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dr. Alexandre de Moraes.
O Dr. Alexandre, conduzido ao STF pelo então presidente Michel Temer, é um professor, um jurista, que fez carreira no Ministério Público de São Paulo, como promotor. Aí me vem à mente a figura de meu pai, um promotor também de São Paulo, depois delegado e finalmente advogado com banca no Rio de Janeiro. Para mim, desde criança, promotores e juízes eram figuras notáveis a serem respeitadas. Depois, virou bagunça! Hoje em dia, até o presidente e seus comandados, no governo ou nas redes sociais, usam e abusam da vontade de xingar promotor e juiz; acusam seus adversários e xingam com palavrões. “Perderam a compostura”, diria a minha avó, viúva de meu avô, o general Pedra, um homem muitissimamente respeitável, da Escola Superior de Guerra.

BAIXO NÍVEL

Portanto, não consigo entender como chegamos a este baixo nível nacional. Como pode um presidente descer tão baixo, levando a maioria do povo brasileiro a reprová-lo em suas atitudes extremistas, como comprovam as recentes pesquisas eleitorais? Se Bolsonaro já era um deputado medíocre, apesar de vários mandatos sucessivos, imagina com que fama ele vai sair do cargo presidencial? Também seus filhos, copiando o modelo torto do pai, demonstram não ter brios, não saberem se colocar como autoridades, apesar dos cargos públicos que ocupam.

O Brasil está vivendo um período nefasto. O mundo está vivendo um período nefasto, porém na maioria dos países “civilizados” do chamado Mundo Ocidental, os governos geralmente fazem tudo para superar as crises, incluindo a grave crise sanitária provocada pelo Covid-19 que nos levou a esse estado de pandemia. O nosso país, ao contrário, está sendo progressivamente abalado pelas ameaças do capitão de plantão! Enquanto isso, a oposição busca acordos difíceis de se concretizarem, em busca de uma união utópica para combater esse vírus político que se instalou em Brasília.

MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Por outro lado, a Primavera insiste em chegar, inexoravelmente. E, porque a Terra é redonda e não plana, como alguns acreditam, as estações do ano acontecem, apesar da maldição das mudanças climáticas que ameaçam todo o planeta. Ontem, na nossa região, houve um estrondo no mar assustador como nunca. Os cachorros saíram correndo e quem estava acordado – ou acordou naquela hora – sentiu medo daquele trovão desproporcional, imenso, claro que sim!
Porque os sinais já estão aqui mesmo, acontecendo a cada dia. As mudanças climáticas estão cada vez mais perceptíveis. E o Dia da Amazônia, dia 5 de setembro, deveria ser muito mais comemorado do que tem sido, porque ela é um eixo motor do equilíbrio de todo o planeta. Se o coronavírus faz parte da mudança genética, como também outras doenças, as secas profundas e as enchentes são o outro lado deste mundo desequilibrado, cada vez mais poluído nos oceanos, nos rios, nas lagoas, nos mares. A Terra pede socorro, enquanto o bom senso não encontra espelho na humanidade. Mesmo assim, a Primavera teima em chegar, com sua temperança, suas cores, sua luz, sua brisa. E com ela, talvez, uma possibilidade de vida, sem as baixarias que tanto nos inquietam e reduzem.

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