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Aos 21 anos de idade, o jornal O SAQUÁ atinge a maturidade

Editorial - Dulce Tupy

Para um pequeno jornal do Interior do Estado do Rio de Janeiro, o jornal O SAQUÁ foi muito longe ao completar 21 anos de idade! Quando surgiu, em julho do ano 2000, ninguém imaginaria que ele fosse tão longe. Muitos nos sugeriam que deveríamos parar o jornal, pois já tinha cumprido sua função, ajudando a eleger o então prefeito António Peres. Outros diziam que jornal pequeno não dá dinheiro, o que é verdade, mas pagamos para ver!
Pagamos alto o preço da nossa perseverança. O jornal que já chegou a ter, nos bons tempos, 24 páginas, colorido, hoje ostenta honrosamente apenas 8 páginas, em preto e branco. É um sinal de resistência, numa cidade que abraçou o nosso “jornalzinho”, como muitos chamam carinhosamente o jornal O SAQUÁ, como algo necessário, agradável e verdadeiro. Por nossas páginas, toda a história recente de Saquarema passou e passa, além das edições com destaque para os fatos memoráveis do município, uma tarefa que assumimos com prazer e competência: manter viva a memória da cidade!

LIVRO E FILME

Ao longo desses 21 anos, muitas pessoas, profissionais competentes e iniciantes, passaram pela nossa pequena redação, em Barra Nova. Além do jornal O SAQUÁ, principal produto da Tupy Comunicações, também editamos livros e lançamos, em parceria com a Prefeitura Municipal, a Coleção Memória da Cidade, com dois livros hoje esgotados e que são fundamentais: o Volume 1, Alberto de Oliveira, o Poeta de Saquarema, de Antônio Francisco Alves Neto (conhecido como Chico Peres) e Lina Malheiros Barcellos e o Volume 2, Raízes de Minha Terra, de Herivelto Bravo Pinheiro.

Mas tivemos mais ousadias, como a publicação do livro do historiador popular Paulo Luiz de Oliveira, Tamoios, Senhores do Litoral, e depois de vários anos produzimos o documentário Confederação dos Tamoios: a última batalha, do cineasta Carlos Pronzato, que ganhou o Prêmio de Direitos Humanos de Jornalismo, na Comissão de Direitos Humanos do Rio Grande do Sul, produzido pela OAB gaúcha e pela ARFOC (Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinegrafistas) em dezembro de 2019. É uma honra ter participado do nascimento e da existência desses dois grandes projetos que resgataram fatos históricos do município e do país.

CULTURA E AMBIENTE

O trabalho dedicado dos donos do jornal, o repórter fotográfico Edimilson Soares e a editora Dulce Tupy, hoje idosos e sofrendo uma série de males da idade e do estilo de vida combativo que sempre tiveram, se consolidou em Saquarema até como referência. Uma publicação sobre a história da cidade, por exemplo, teve vários capítulos que tiveram como base de pesquisa as matérias publicadas no jornal O SAQUÁ.

Ao completar 21 anos, viemos comunicar aos nossos anunciantes e leitores que vamos agora mudar o foco do nosso trabalho. Vamos nos concentrar no campo fértil da Cultura e do Meio Ambiente, dois temas que nos envolvem até a alma. Vamos deixar outros assuntos mais corriqueiros e que exigem uma apuração muito trabalhosa, como por exemplo o cotidiano do município, para abranger temas mais amplos e que já tocamos, como a questão da água, a agricultura familiar, a pesca, o meio ambiente, a alimentação natural e outros afins.

NOVOS RUMOS

Também vamos enfocar a Cultura, não só de Saquarema, mas de outras localidades, através da história, geografia, literatura, artes plásticas, cinema, teatro, artesanato, festas populares, etc. Afinal, o jornal O SAQUÁ mantém a única Coluna Literária permanente em jornal local – e uma das raras em todo o Interior – como a preciosa “Cultura também é notícia”, da poeta e cronista Beatriz Dutra, há mais de 12 anos no jornal, mensalmente. É assim que vamos prosseguir, se possível até o mês de dezembro, quando faremos uma transição para a realidade virtual, exclusivamente para o site, que é para onde migram todos os pequenos, médios e grandes jornais da atualidade.

Na internet, teremos a mesma qualidade editorial que temos hoje no impresso, que desde que se iniciou a Pandemia, quando abandonamos o colorido das páginas para adotar somente o preto e branco, nos adaptamos ao custo editorial que se tornou proibitivo para nós, editores dos pequenos jornais, tendo em vista que o material impresso, a começar pelo papel jornal e pela tinta, são importados e voláteis como o dólar… Vamos comemorar, então, a nossa sobrevivência nesses tempos pandêmicos em que perdemos tantos colaboradores, amigos, companheiros, anunciantes, leitores. A todos, os vivos e os que já se foram, muitíssimo obrigado, por possibilitar a nossa existência por todos esses anos! A vocês, que são a razão da nossa existência, agradecemos a fidelidade! Sempre!

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