Senador Sampaio Corrêa, o engenheiro que deu nome ao terceiro distrito de Saquarema

Político, engenheiro, professor, jornalista e escritor, o senador Sampaio Corrêa conquistou em 1911 o direito de construir o prolongamento da Estrada de Ferro Maricá até Iguaba Grande, o que viabilizou a construção da estação Mato Grosso, inaugurada em 2013, depois chamada Maranguá e mais tarde Sampaio Corrêa. (Foto: reprodução)

Político, engenheiro, professor, jornalista e escritor, o senador Sampaio Corrêa conquistou em 1911 o direito de construir o prolongamento da Estrada de Ferro Maricá até Iguaba Grande, o que viabilizou a construção da estação Mato Grosso, inaugurada em 2013, depois chamada Maranguá e mais tarde Sampaio Corrêa. (Foto: reprodução)

Sampaio Corrêa nasceu em Niterói, em 1875, mas fez seus primeiros estudos em Campos-RJ, e o ginásio em Barbacena-MG. Radicado na antiga capital federal, Rio de Janeiro, diplomou-se como engenheiro civil, na Escola Politécnica, em 1898, tornando-se professor da cadeira de estradas de ferro, pontes e viadutos dessa escola. Inspetor geral de Obras Públicas durante o governo de Afonso Pena (1906-1909), exerceu o cargo de engenheiro-chefe da Comissão de Abastecimento de Água do Distrito Federal de 1907 a 1910 e chefiou, em 1908, as obras da célebre Exposição Nacional realizada entre e os bairros da Urca e Praia Vermelha, no Rio, em comemoração aos 100 anos da Abertura dos Portos, proclamada por D. João VI, quando chegou ao Brasil junto com a família Real, em 1808.

Engenheiro-chefe das Obras Contra as Secas, no Rio Grande do Norte, em 1912, participou da construção de diversas ferrovias, entre as quais a Estrada de Ferro Central do Rio Grande do Norte, a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil e a Estrada de Ferro Maricá (EFM), no Rio de Janeiro, que ligou Niterói à Região dos Lagos. Foi também diretor da Companhia do Porto do Rio de Janeiro, da Companhia Aero-Postal Brasileira, da Companhia Radiotelegráfica Brasileira e da Companhia de Luz e Força de Campos, onde foi autor do projeto de iluminação elétrica. Foi ainda revisor do serviço de bondes, força e luz de Belo Horizonte, engenheiro-chefe da Companhia City Improvements, no Rio, diretor da Compagnie Générale de Chemins de Fer du Brésil (que assumiu a Estrada de Ferro Maricá), chefe da firma Sampaio Corrêa e proprietário da Usina Santa Luiza, no Rio de Janeiro, com fazendas em Saquarema.

Engenheiro, senador e jornalista

Sampaio Corrêa iniciou sua vida política em 1918, ao eleger-se deputado federal pelo Distrito Federal, na legenda da Aliança Republicana. Integrou a Comissão de Finanças da Câmara dos Deputados e colaborou, em 1919, com o prefeito do Distrito Federal, Paulo de Frontin, no plano de abastecimento de água da cidade. Em 1920 elegeu-se senador, iniciando o mandato no ano seguinte. Na sucessão do presidente Epitácio Pessoa (1919-1922), apoiou, como líder da Aliança Republicana, a candidatura de Artur Bernardes, eleito em março de 1922. Deputado Federal pelo Distrito Federal de 1918 a 1920, foi senador de 1921 a 1926, tendo participado da visita ao Parlamento Mexicano e da VI Conferência Pan-Americana, realizada em Havana, Cuba, durante o governo do presidente Washington Luís (1926-1930).

Após a Revolução de 1930, à qual se opôs, elegeu-se em maio de 1933 deputado pelo Distrito Federal à Assembleia Nacional Constituinte como candidato avulso. Empossado em novembro, passou a integrar a Comissão Constitucional, que propôs o anteprojeto da Constituição. Com a promulgação da nova Carta, em 1934, e a eleição de Getúlio Vargas, teve seu mandato estendido até maio de 1935, permanecendo como deputado federal até 1937, quando foi promulgado o Estado Novo e foram interrompidos todos os trabalhos parlamentares no país.

Mesmo fora do parlamento, Sampaio Corrêa continuou fazendo oposição ao governo, no jornalismo. Fundador do jornal A Tarde, era membro da Associação Comercial do Rio de Janeiro, da Federação das Associações Comerciais do Brasil, do Instituto Politécnico, do Clube de Engenharia, do qual foi presidente, e do Aeroclube Brasileiro. Publicou estudos políticos, econômicos e técnicos – “O tenentismo e a política” (com J. Bernoville Pequeno), “Motores elétricos”, “O abastecimento de água no Rio de Janeiro”, “A tração elétrica da Estrada de Ferro Central do Brasil”, “Parecer sobre as obras contra a seca do Nordeste” – além do livro “Rumos de tropeiro”. Faleceu no Rio de Janeiro, em 17 de novembro de 1942.

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