Pintura, escultura, literatura, música e gastronomia em alta

Editorial - Dulce Tupy

Saquarema sempre foi reconhecida por suas belezas naturais. Balneário descoberto pelos surfistas no final dos anos 60, logo o município se tornaria um importante pólo de turismo e paraíso dos hippies que aqui chegaram trazendo a contracultura do artesanato que ainda permanece na tradicional “feirinha” da Praça Oscar de Macedo Soares, no centro histórico da cidade. Afora isso e as tradicionais festas religiosas, cuja maior expressão é a Festa de Nossa Senhora de Nazareth, mas que inclui também a Folia do Divino e a Folia de Reis, além das festas de São João, Santo Antônio e São Pedro, a cidade teve como ponto máximo da sua cultura musical as bandas que se tornaram referência na Região dos Lagos e que formaram inúmeros músicos, instrumentistas muito pouco reconhecidos até hoje, afora violonistas e seresteiros, como o poeta José Bandeira e seu irmão Nicodemus.

Portanto, nesta cidade simples de origem humilde de famílias de pescadores e fazendeiros, com alguns poucos funcionários públicos, a cultura sempre foi algo distante. As poucas bibliotecas sobrevivem com dificuldades e a Casa da Cultura Walmir Ayalla só oferece um curso de pintura, do artista plástico Nelsinho, um dos herdeiros da pintura do grande Antenor de Oliveira, também poeta e cenógrafo. No tempo dos Festivais de Surfe, a música popular, através de Rita Lee, Eduardo Duseck, Banda Blitz, com Evandro Mesquita, Ney Matogrosso e outros trouxe ares novos para Saquarema, mas o sonho acabou! Nos anos seguintes, novas informações aportaram na cidade, como a Daumas Academia, que formou e forma inúmeros bailarinos na cidade e a Casa do Nós, com aulas de puro teatro, espécie de sucursal do Grupo Nós do Morro, do genial diretor Guti Fraga.

Agora, outras vertentes culturais começam a surgir, como o Circulo Artístico Cultural de Saquarema (CACS), uma instituição recém-criada, que acaba de promover uma programação cheia de atrativos: o Agosto Cultural. Primeiro, foi a I Mostra de Artes Plásticas, com curadoria da pintora Telma Cavalcanti, no Lake’s Shopping, seguida da Oficina de Cerâmica Letras do Barro, com a escultora Evelyn Kligerman, no restaurante e bistrô Frutíssima, depois workshop no Teatro Mário Lago e Contação de Histórias, com Ilana Pogrebinschi, e até um concurso de fotografia, para fotógrafos amadores e profissionais, organizado pela artista plástica e fotógrafa Anah Miguel. A culminância do projeto foi um show de música popular de Edgar Gordilho e o grupo Choro na Praça, fechando com chave de ouro esta iniciativa que tem tudo para permanecer no calendário turístico da cidade.

“O Gosto de Agosto”, festival gastronômico em sua terceira versão – e gastronomia também é cultura – ampliou a participação dos restaurantes: Casa da Praia, Casa Rosário, Lagunas, Le Bistrô, Latitude Bistrô e Maasai que se empenharam em oferecer o melhor aos clientes em busca de sabores típicos. A Escola Municipal Orgé Ferreira dos Santos promoveu, também em agosto, a exposição “A arte indígena visita Itaúna”, numa parceria com o Museu do Índio do Rio de Janeiro e o lançamento do livro “O Dia do Índio na televisão”, da jornalista Cristina Brandão. Foi um agosto de tirar o fôlego, para quem aprecia a cultura, com suas múltiplas interfaces. Tudo indica que Saquarema começa a viver uma intensa primavera cultural.

Compartilhe!
Palavras-chave:

Sobre o autor

Dulce Tupy é editora do jornal O Saquá e da Tupy Comunicações.