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Cacilda Becker

Cultura é Notícia - Beatriz Dutra

Ela foi estrela de primeira grandeza no teatro brasileiro e por seus enormes talento, magnetismo e capacidade para emocionar e encantar as plateias, deixou seu nome perpetuado na história do nosso Teatro.

Apesar de sua vida breve (só 48 anos) ela resplandecia em cada representação. De 1948 a 1957 fez uma variedade de papéis em 27 peças teatrais. Dentre elas, “Seis Personagens à Procura de um Autor”, “A Dama das Camélias”, “Maria Stuart”, “Antígona”, “Gata em Teto de Zinco Quente” e “Adorável Júlia”.

Em 1958, com Walmor Chagas e Ziembinsky, formaria a “Companhia de Teatro Cacilda Becker” (TCB) que apresentou 26 peças até a sua morte repentina.

Segundo o jornalista Gustavo Cunha, ela “só abandonou o ofício artístico quando saiu de cena, quase simultaneamente, na ficção e no mundo real. Vale lembrar o episódio trágico: em 06 de maio de 1969, em São Paulo, no intervalo da 42ª apresentação de “Esperando Godot”, Cacilda perdeu a consciência enquanto vestia o figurino da personagem Estragon. Levada às pressas a um hospital – com roupa de cena e tudo – foi diagnosticada com um aneurisma cerebral, permanecendo internada por 39 dias antes de morrer”. (O Globo, 06.04.2021).

Por ironia da vida, eis as palavras do crítico Sábato Magaldi: “A figura frágil, desajeitada, Chapliniana, com a máscara Clownesca, ilumina-se de uma vida interior e uma sabedoria que fazem de ESTRAGON talvez o ponto mais alto da carreira de Cacilda e uma criação antológica”… Carlos Drummond de Andrade, à época da morte da atriz, escreveu: “Morreram Cacilda Becker. Não era uma só. Eram tantas. Morrem mil Cacildas em Cacilda”. Segundo seu neto, Guilherme Becker, “os amigos dizem que ela se metamorfoseava em cena”. O diretor José Celso Martinez criador do Teatro Oficina e autor da peça “Cacilda”, em homenagem à atriz. Para Paulo Francis, ela era “um momento de trabalho e audácia no teatro”. E para Ziembinsky, ela “sempre teve um fogo sagrado ardendo dentro daquele corpo frágil, uma paixão artística pelo teatro”.

CACILDA BECKER IÁCONIS, essa multifacetada mulher, exerceu também outras atividades: “além de atriz, foi radioatriz, locutora, redatora, apresentadora, radialista, diretora e produtora”. E seu neto lembra que “Cacilda foi uma das maiores personalidades deste país. Ela atuou politicamente, enfrentou a ditadura militar e transformou a própria casa praticamente num hotel ao receber colegas que eram perseguidos”.

Grande CACILDA BECKER!… Honra e glória do Teatro, da Dramaturgia e da Pátria brasileira! Cem anos de nascimento! (06/04/1921, em Pirassununga, SP – 14/06/1969 São Paulo, SP)

VIVA CACILDA BECKER!

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