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O centenário de Antonio Maria

Cultura é Notícia - Beatriz Dutra

Ele viveu pouco: só 43 anos, mas foi um criador de belezas. ANTONIO MARIA (Antonio Maria Araújo de Morais) artista multifacetado, pernambucano de Recife, mas foi no Rio de Janeiro que seus múltiplos talentos se expandiram e se eternizaram.

ANTONIO MARIA comentarista esportivo, cronista, poeta e compositor. Foi considerado “o rei do samba-canção na década de 1950”. Quem não se lembra desses versos que ficaram para sempre nos nossos corações? “Ninguém me ama/Ninguém me quer/Ninguém me chama/ de meu amor”..(NINGUÉM ME AMA, de ANTONIO MARIA e Fernando Lobo.gravado por Nora Ney e mais tarde por Nat King Cole.

“Nunca mais vou fazer/o que o meu coração pedir/ Nunca mais vou fazer/o que o meu coração mandar”.(CANÇÃO DA VOLTA, de ANTONIO MARIA e Ismael Neto, gravada por Dolores Duran).

“Ah…Suas mãos/onde estão?/ Onde está o seu carinho?/Onde está você?(SUAS MÃOS, de ANTONIO MARIA e Pernambuco, gravação: Maysa, e mais tarde Nat King Cole).

“Guarda a rosa/ que eu te dei/ Esquece os males/ que eu te fiz/ A rosa vale mais/ que a tua dor” (O AMOR E A ROSA, de ANTONIO MARIA e Pernambuco, gravação de Elizeth Cardoso).

“Manhã, tão bonita/ manhã/ Na vida, uma nova/canção/ Cantando só teus olhos/ teu riso tuas mãos/ Pois há de haver um dia/ Em que virás” (MANHÃ DE CARNAVAL, de ANTONIO MARIA e Luiz Bonfá); uma das músicas mais executadas no exterior, que só perde em gravações no exterior para “Aquarela do Brasil” e “Garota de Ipanema”. Também foi gravada por André Rieu).

“Vento do mar em meu rosto/ E o sol a queimar, queimar/ Calçada cheia de gente a passar/E a me ver passar…/ Rio de Janeiro, gosto de você/ Gosto de quem gosta/Desse céu, desse mar/dessa gente feliz”… (VALSA DE UMA CIDADE, de ANTONIO MARIA e Ismael Neto, gravada por Lúcio Alves, Os Cariocas, Tim Maia, Caetano Veloso… esta música, segundo o jornalista Joaquim Ferreira dos Santos, é “sempre vencedora de concursos de a mais bonita música escrita sobre o Rio” (“O Globo”, 18.03.2021).

E o que dizer de ANTONIO MARIA como CRONISTA? Para o citado J.F. dos Santos, ele “fazia parecer fácil a difícil arte de escrever com simplicidade”.

E continua: “Até pouco tempo, qualquer escalação da seleção nacional de melhores cronistas escalaria Rubem Braga, Carlinhos de Oliveira, Fernando Sabino, Veríssimo, Paulo Mendes Campos, João do Rio, Stanislaw Ponte Preta, Nelson Rodrigues e, vá lá, Drummond.

MARIA – cujo centenário de nascimento foi no dia 17/03/2021 – seria o nome mais recente nesse panteão. Todos os demais, consagrados pelos anos, são fartamente editados e disponíveis. A exceção é ANTONIO MARIA, cujas crônicas publicadas até hoje foram apenas umas 200, quando se calcula que escreveu algo em torno de 3 mil nos jornais e revistas do Rio, entre 1948 e 15 de outubro de 1964, quando aos 43 anos morreu”.

E sintam, amigos leitores, a atualidade das palavras de ANTONIO MARIA em uma das suas crônicas: “Cá estou eu a escrever tolices. Com imensa facilidade – convenhamos. Vivendo dias em que é preciso escrever tolices. Há uma dor preponderante em cada coração”.
Antonio Maria

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