Os 30 anos da Quadrilha Asa Branca

As tradicionais personagens da quadrilha, a sinhazinha e a princesinha Asa Branca com o mestre João Campelo em Sampaio Corrêa (Foto: Dulce Tupy)

Nos anos 70, realizava-se todos os anos em Sampaio Corrêa, na praça principal em frente à Igreja de Nossa Senhora da Conceição, o Arraiá Estrela Dalva, grande festa de São João, que agregava os moradores do antigo distrito rural, fazendeiros e empregados, cavaleiros e damas. Nos anos 80, surgiu a Quadrilha Vovô Mané e Zé e em seguida a Quadrilha Tia Zef, ambas desaparecidas. Em 1987, nasce a Quadrilha Asa Branca, criada por João Campelo e sua irmã, a saudosa Vera, que deu à quadrilha estreante o nome da célebre canção de Luiz Gonzaga. Com base no tradicional baião, a Quadrilha Asa Branca logo se destacou no município e nos demais onde se apresentou, incluindo Rio de Janeiro, São Gonçalo, Itaboraí, Araruama e Iguaba, onde ganhou em 2012 um belo troféu, comemorativo de seus 25 anos de idade.

As festas de São João não acabam no Brasil, desde os tempos coloniais. Uma prova do espírito festivo que permanece no município é a própria existência da quadrilha Asa Branca, que sobrevive sem nenhum apoio oficial, somente com a ajuda de comerciantes locais, formando gerações de brincantes, sob o comando do marcador de quadrilha João Campelo. Todos os anos, João bate às portas do comércio. A empresa Rio Lagos é uma que sempre fornece o transporte da quadrilha, quando solicitada. Supermercados e empresas da construção civil local também colaboram. O jornal O Saquá sempre noticia as exibições da Quadrilha Asa Branca, valorizando esse importante patrimônio imaterial da cultura em Saquarema, que atravessou séculos e permanece até hoje nas nossas mentes e no inconsciente coletivo do povo.

Mantendo a tradição

Aluno aplicado dos antigos marcadores de quadrilha de Sampaio Corrêa, Dinho e Nivan, João Campelo é considerado hoje um verdadeiro mestre. Para ele a diferença entre a quadrilha de salão, como era a Vovô Mané e Zé, com suas saias rodadas, para a quadrilha caipira, mais simples, é que uma é mais evolução e a outra é mais dança. Mas, as duas mantêm os mesmos personagens: o padre, a rainha, a noiva e a sinhazinha.

Ano passado, na escola Almerinda, no bairro São Geraldo, o Projeto “Mais cultura nas escolas”, da Secretaria Municipal de Educação e Cultura, levou a quadrilha Asa Branca para uma oficina de criação e apresentação para alunos e convidados. A primeira versão do projeto – aprovado pelo Ministério da Educação – foi em 2014, na Escola Municipal Clotilde Ferreira, em Sampaio Corrêa. Agora, João se prepara para levar a quadrilha para a uma apresentação festiva na Praça do Canhão, durante o Arraiá da Vila, promovido pela Subsecretaria Municipal de Cultura, nos dia 25 e 26 de agosto. Ali será cantado o parabéns!

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