Após 8 meses, Dilma parece estar com os dias contados

Opinião - Silênio Vignoli

A contagem regressiva para o final do processo de impeachment, que já dura 8 meses, inclui a saída de Dilma do PT, sinalizada pelas últimas trocas de farpas entre a presidente afastada e a cúpula do partido. Dilma estaria determinada a deixar a legenda assim que o Senado selar a aprovação do impeachment, que a tornará inelegível por 8 anos. A própria militância pró-Dilma parece cansada, sem aquele velho fôlego. Não é só um cansaço de amplitude nacional diante de uma batalha, ao que tudo indica, já decidida, mas os gigantescos desafios a serem enfrentados no Congresso, num clima de relação esfarrapada da presidente afastada com o PT. O próprio presidente do partido, Rui Falcão, acaba de desconsiderar em público a proposta de um plebiscito, caso Dilma retorne. Típico de um troco pelo fato de Dilma ter jogado sobre a legenda a responsabilidade pelo pagamento por caixa dois de despesas de campanha, feito ao casal João Santana e Mônica Moura. O clima, dizem os mais próximos, é como o do fim litigioso de um casamento.

Acusações
fazem Lula
admitir asilo
no exterior

As votações acachapantes e os novos fatos surgidos da Lava-Jato revelaram que o longo ciclo de 13 anos do PT no Planalto parece mesmo estar com os dias contados. Dilma ainda tentou imunizar Lula com a tentativa frustrada de nomeá-lo ministro-chefe da Casa Civil, visando protegê-lo sob a prerrogativa do foro privilegiado. Dilma e Lula respondem por tentativa de obstrução da Justiça. Além do enorme desgaste político da presidente e do PT, os fatos alinhados pela acusação não foram até agora rebatidos de forma convincente pelo advogado de Dilma, o ex-ministro José Eduardo Cardoso e pela tropa de choque dela, que se destaca pelos elevados decibéis, formada pelos senadores Lindberg Farias (PT–RJ), também citado na Lava-Jato; Gleise Hoffmann (PT-PR), mencionada na Operação Custo Brasil, pela qual chegou a ser preso seu marido, o ex-ministro Paulo Bernardo; e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM).

Essa tropa de choque é que criou a falsa tese do “golpe”, apesar dos recursos à Justiça e aos votos do Congresso. Mesmo inverossímil, fruto da apelativa “criatividade” brasileira, teve alguma acolhida em grupos no exterior, servindo de munição para aquele tipo de militância fiel e cega como torcida de futebol. Como se não bastasse, em mais um capítulo de uma ridícula novela política latino-americana, usando o argumento de que há um “golpe” parlamentar no país e que a presidente afastada está sendo vítima de violação de seus direitos, um grupo político, acusado na Justiça por um mega esquema de corrupção e por ter ilegalmente manipulado o orçamento do país para manter-se no poder, tenta apresentar-se ao mundo como alvo de perseguição política, recorrendo à Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) contra o processo de impeachment.

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Sobre o autor

Silênio Vignoli é editor adjunto do jornal O Saquá.