Agricultura e proteção ambiental

O Programa Rio Rural em Saquarema dá bons frutos e protege o meio ambiente

A exuberancia da floresta em harmonia com a produção de banana e palmito pupunha se destaca no sistema agroflorestal adotado pelo Rio Rural (Foto: Edimilson Soares)

A exuberancia da floresta em harmonia com a produção de banana e palmito pupunha se destaca no sistema agroflorestal adotado pelo Rio Rural (Foto: Edimilson Soares)

O Programa Rio Rural foi um dos destaques na COP 21, a conferência internacional realizada em 2015 em Paris, França, quando mais de 170 países discutiram ações necessárias ao enfrentamento das mudanças climáticas. Citado também no ano passado, em um relatório da ONU como experiência bem-sucedida na área de gestão de recursos hídricos e desenvolvimento sustentável, o Rio Rural atua na produção de água, segurança alimentar e proteção do solo, visando harmonizar a produção de alimentos e a proteção ambiental.

O Rio Rural começou a ser implantado pela Secretaria de Agricultura e Pecuária do Estado do Rio de Janeiro há 11 anos, incentivando a sustentabilidade na produção rural, promovendo assistência técnica e incentivos financeiros, visando transformar pequenos agricultores em agentes efetivos da preservação ambiental. Financiado pelo Banco Mundial, o Rio Rural atende atualmente 350 microbacias hidrográficas em todo o território fluminense, o que representa 48 mil famílias das zonas rurais. Até 2018, o programa vai contabilizar US$ 233 milhões investidos em ações de desenvolvimento, em 72 municípios, entre eles Saquarema. O programa implementa técnicas modernas, aliadas à conservação dos recursos naturais e à melhoria da produtividade.

Em Saquarema, o Rio Rural participa ativamente na orientação aos agricultores familiares locais, com bons resultados. Entre os exemplos de desenvolvimento da agricultura local, sem degradação da natureza, está o plantio de banana, respeitando a vegetação nativa e ainda protegendo e restaurando a floresta local. Na propriedade de Clíneo Gonçalves da Silva, localizada na microbacia Rio Roncador, na Serra doMato Grosso, em Sampaio Corrêa, a integração entre floresta e produção agrícola impressiona. De longe, só se vê no terreno a copa das árvores de grande porte que compõem a mata, mas é em meio a elas que está a plantação. Por meio dos incentivos do Rio Rural, o agricultor adquiriu equipamentos e mudas com o objetivo de implantar em sua propriedade as técnicas agroecológicas que compõem o SAF (Sistema Agroecológico Familiar). Assim, consorciou os cultivos de banana e palmito pupunha, que crescem em meio às árvores.

Buscando o equilíbrio

“Eu não gosto de derrubar as árvores, porque elas protegem o solo e as outras culturas”, ressalta o pequeno agricultor. De acordo com o extensionista da Emater-Rio, responsável pelo trabalho nessa microbacia, Hélio Martins dos Santos, com a proteção da floresta e do solo, o sistema também garante maior preservação da água naturalmente disponível para a agricultura. “No período de seca, foi o SAF que permitiu que ele tivesse alguma produção. Isso é usar a natureza em seu favor. Essa garantia é muito importante para o agricultor familiar”, destaca o técnico. Ele também explica que, por meio do SAF, os agricultores praticam diversas técnicas agroecológicas, como a plantio de leguminosas para o enriquecimento e proteção do solo, o uso de folhas e troncos da própria floresta para a adubação do solo, bem como o manejo adequado das plantas de forma a equilibrar as diversas espécies.

Clineo da Silva exibe parte da colheita de banana produzida no sistema agroflorestal, na microbacia do Rio Roncador, em Sampaio Corrêa (Foto: Edimilson Soares)

Clineo da Silva exibe parte da colheita de banana produzida no sistema agroflorestal, na microbacia do Rio Roncador, em Sampaio Corrêa (Foto: Edimilson Soares)

Assim, aos poucos, os produtores diminuem e até extinguem o uso de agrotóxicos, além de melhorarem a qualidade dos alimentos produzidos. O equilíbrio do agroecossistema é o que ocorre também na propriedade de Felipe Ferreira da Silva, que produz banana em meio à floresta, conforme as técnicas do SAF. Com a orientação da Emater-Rio e os incentivos do Rio Rural, ele também resolveu consorciar o bananal com outras plantas que ajudam a proteger a mata. A principal aquisição foi a compra de mudas de cupuaçu, espécie que se adapta muito bem à sombra da floresta. Além de ser utilizado comercialmente, já que sua polpa é valorizada no mercado, o cupuaçu protege o solo com suas folhas que, ao se depositarem no chão, mantêm a umidade do terreno e viram adubo natural. O agricultor relata que ainda não tem conseguido uma produção expressiva de cupuaçu, mas isso não o preocupa. Ele sente orgulho de cada árvore plantada e reconhece a importância da manutenção da floresta.

Por meio de projetos de conservação dos recursos hídricos, preservação ambiental e boas práticas agrícolas, o Rio Rural vem contribuindo também no aumento da disponibilidade de água para a população. As ações de preservação das nascentes ganharam grande impulso com a campanha “Água Limpa para o Rio Olímpico”, lançada em 2010 com a meta de proteger 2.016 nascentes até as Olimpíadas. Segundo o secretário estadual de Agricultura e Pecuária Christino Áureo, o objetivo foi alcançado ainda em 2015 e hoje já são 3.120 nascentes preservadas em todo o estado. A campanha será um dos destaques da Feira Rio Rural, que acontecerá entre os dias 24 e 26 deste mês.

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