Reações de Dilma prejudicam ainda mais a governabilidade

Opinião - Silênio Vignoli

As dívidas contraídas no primeiro governo Dilma começaram a chegar todas de um vez, inclusive as que foram feitas durante a campanha de mentiras, visando a reeleição a qualquer custo. Agora, a presidente Dilma tem que encarar o desafio de garantir a governabilidade, conter o avanço dos pedidos de impeachment e aprovar no Congresso as impopulares medidas de ajuste fiscal. Para tanto, começou pela reforma ministerial cedendo bom espaço ao PMDB retirado do PT, embora tenha constituído um novo núcleo duro de governo comandado por integrantes do chamado “Grupo de Lula”. E assim a “Pátria Educadora” ganhou o quarto ministro em apenas 12 meses. Dilma resolveu demitir da Educação o filósofo Janine Ribeiro a quem comparou ao educador Paulo Freire, cavando um emprego para Aloísio Mercadante expelido da chefia da Casa Civil, por pressão dos aliados e do próprio ex-presidente Lula.

Dilma e o PT quebraram o país
e usam truque das “pedaladas”

Não se pode dizer que a presidente Dilma está apática diante de uma crise tão profunda, desnecessária e até evitável em que se meteu e jogou o país. Mas a reação que a presidente esboça só faz afundar ainda mais seu governo de coalizão em um lamaçal político que inviabiliza qualquer solução capaz de lhe oferecer a tranquilidade que precisa para governar. O Brasil não deveria estar agora em pleno retrocesso, vivendo o pânico da inflação de 2 dígitos, a disparada do dólar e o desemprego já beirando os 10%. O lamaçal em que estamos atolados foi provocado por barbeiragem do governo, segundo conceituados economistas. Não é um modelo que se esgotou, é uma proposta errada que agora está cobrando seu preço. A pior conta da crise é a que está chegando na casa de brasileiros anunciando o desemprego que está crescendo. Mais de 8 milhões de trabalhadores estão saindo de casa para procurar emprego e não encontram.
O erro foi não ter promovido as mudanças estruturais que favorecessem a competitividade do Brasil, aumentando a dinâmica da Economia. Em vez disso, o governo lulopetista optou por medidas de subsídios e isenções às empresas, angariando apoios para a reeleição, o que resultou no mascaramento de graves problemas. O que a pesquisa CNI-Ibope revelou não é uma baixa popularidade, mas um alto índice de rejeição à presidente e às suas decisões em todas as áreas. A rejeição à presidente Dilma chegou de forma rápida e muito intensa. No Ibope, este é o maior índice da série que pega todos os governos da era pós-militar. Nem o ex-presidente José Sarney, no auge de uma hiperinflação e em fim de governo, nem o ex-presidente Fernando Collor, perto do impeachment, atingiram 69% das pessoas entrevistadas considerando o governo ruim ou péssimo. Dilma adotou a política na qual ela e o PT acreditavam, quebrou o país e escondeu os resultados com truques eleitorais chamados “pedaladas”.

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Sobre o autor

Silênio Vignoli é editor adjunto do jornal O Saquá.