Paulo Melo volta as suas origens na Câmara onde tudo começou

O secretário de Governo do Rio de Janeiro Paulo Melo em visita à Câmara onde começou sua carreira política como vereador, abraçando amigos e políticos (Foto: Edimilson Soares)

O secretário de Governo do Rio de Janeiro Paulo Melo em visita à Câmara onde começou sua carreira política como vereador, abraçando amigos e políticos (Foto: Edimilson Soares)

Poucos políticos no Rio de Janeiro têm uma carreira tão coerente quanto o deputado Paulo Melo, que construiu ao longo dos anos um caminho sólido que o levou do cargo de presidente da Assembleia Legislativa (ALERJ) ao atual posto de secretário de Governo, de Luiz Fernando Pezão. Eleito vereador de Saquarema, em 1988, foi eleito deputado estadual dois anos depois com cerca de 8 mil votos. Nas eleições seguintes, conquistou as sucessivas somas de 13 mil votos, 66 mil votos, 83 mil votos, 109 mil votos, 121 mil votos, chegando, finalmente, com 130 mil votos na eleição passada, como o mais votado parlamentar do PMDB. Considerado um cumpridor de palavra, um homem de ação e de confiança de todos os últimos governadores, é um líder nato, um hábil negociador, um político de credibilidade e um verdadeiro ídolo para Saquarema, como foi Macedo Soares, na época do Império, que trouxe a primeira maternidade do município, hoje o Centro Social Madre Maria das Neves.

Em sua recente visita à Câmara, um clima de expectativa já estava impresso nas ruas, num burburinho em torno da Prefeitura. A notícia de que ele estaria presente naquela sessão havia corrido de boca em boca, atraindo pessoas de todos os níveis. Convidado, subiu à tribuna, tantas vezes ocupada por ele quando era vereador. Ao se retirar, foi ovacionado de pé, por admiradores ou não, após um discurso brilhante, onde falou um pouco de tudo, desde a sua infância pobre em Saquarema até a sua realidade atual, instalado num gabinete ao lado do governador Pezão, no Palácio Guanabara. O ponto alto foi o balanço que fez das obras que vem trazendo para Saquarema; obras que estão melhorando a cidade, transformando a vida das pessoas, beneficiando o povo.
“Sou filho de Seu Cacazinho e Dona Clementina; pedi esmolas nessa cidade. Tenho absoluta convicção de que minha atuação como político mudou o município, graças ao povo que me deu a oportunidade de representá-lo no Parlamento maior do nosso estado que é a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro”, diz emocionado. E relaciona em seguida as obras que estão em andamento, como a urbanização de Bacaxá, e o banho de asfalto que foi feito nos últimos anos, reconhecido até pelos adversários e motivo de inveja dos demais prefeitos na Região dos Lagos.

Grandes investimentos

Paulo Melo ocupou a Tribuna da Câmara, onde defendeu o governo Franciane, em especial as obras que vêm sendo feitas no município (Foto: Agnelo Quintela)

Paulo Melo ocupou a Tribuna da Câmara, onde defendeu o governo Franciane, em especial as obras que vêm sendo feitas no município (Foto: Agnelo Quintela)

“Não existe paralelo no Estado do RJ de uma cidade como Saquarema, com a gama de investimentos que tem. Neste momento de crise que estamos vivendo, as únicas obras que não pararam no Rio de Janeiro – estão devagar, mas não pararam – foram as obras de Saquarema. Nós transformamos a cidade. Imagina Saquarema sem as obras que nós trouxemos. O bairro do Boqueirão e o Gravatá, onde se vendia terrenos e casas a preço de banana, e hoje depois do asfalto! Quanto vale um terreno em Itaúna? Quando eu comecei como vereador, comprei um terreno por 20 mil reais. Hoje os terrenos lá valem de 400 a 800 mil reais! Nós fizemos obras que transformaram a cidade e não misturo a questão política. Quando o prefeito era Carlos Campos, adverso declarado, fizemos obras também: o bairro do São Geraldo, a Avenida Saquarema, a Avenida Ministro Salgado Filho e a Rua 96 em Jaconé, foram obras feitas nessa época”, confirma.
Voltando-se para a vereadora Taeta lembra: “Vereadora, a sua mãe trabalhou com meu pai na casa do Seu Machado, onde eu tomava banho com um caco de telha numa banheira do lado de fora. Eu esperava ansioso que ele chegasse nos finais de semana para poder comer. Quando eu entro no novo Hospital, onde seu irmão foi tratado, eu me emociono, porque minha mãe era parteira, minha avó era parteira também. Quando eu vejo uma escola técnica, como a Faetec de Bacaxá, digo para mim: talvez se na infância tivesse aqui uma escola assim eu não sairia de Saquarema, eu não seria deputado hoje”.
E confirma que as obras continuarão: “A obra da Barra Franca, que está paralisada, está sendo feita com verbas do Fecam, Fundo Estadual de Controle Ambiental, e será retomada em breve, pela Secretaria do Estado do Ambiente. Depois de uma fase difícil no governo do Estado, neste início do ano, o dinheiro já está voltando para que as obras continuem. Mas mesmo com essa precariedade, o povo de Saquarema tira da lagoa o que não tirava há muito tempo! Ninguém mais vê mortandade de peixe e nem sente o cheiro fétido, cheiro da lagoa com peixes podres. Agora, a lagoa precisa de dragagem, precisamos do alongamento do molhe, mas estamos trabalhando. Desafio qualquer um, amigo ou adversário, que numere as obras nessa cidade e diga quais as que eu não fiz”.
Na defesa do governo Franciane, a prefeita que mais fez nos últimos anos, diz: “É só ver os colégios. Ela quadriplicou o número de creches e construiu refeitórios em todas as escolas. Vai dizer que os colégios não ficaram bonitos? Vai ver o de Jaconé, o de Água Branca, o de Bicuíba. Está sendo feito um novo Centro Administrativo. Quem chamou os concursados foi a prefeita. Quem fez o Plano de Cargos e Salários para os professores foi ela. Quem fez um Plano de Cargos e Salários para os funcionários, também. Eu li num jornal que a obra da Casa da Cultura está atrasada, 2 anos. Não, está errado! Nós estamos atrasados 50 anos e quem está fazendo agora sou eu! Nós transformamos a Basiléia, em Sampaio Corrêa. Então me digam, qual a obra que eu comecei e não terminei? Se a gente recebesse como recebe Maricá, 40 milhões de royalties de petróleo por mês seria fácil, e lá está sem hospital e 80% das ruas não são asfaltadas. É mole com esse dinheirão dos royalties colocar passagem de ônibus de graça”.

Contra o porto

Amante confesso de Saquarema, declara: “A questão é que eu gosto desta cidade. Se me perguntarem porque, não sei. Talvez pelas vagas lembranças da minha infância caminhando com uma caixa de cocadas, uma bandeja de sonhos. Talvez por ver minha avó com tanto carinho, já com uma certa idade, se locomovendo com dificuldades, ir na sua missão quase que sagrada de colocar uma luz no mundo, uma vida. Talvez seja por isso. Talvez seja pelo fator bucólico do cemitério que é um privilégio; por Nossa Senhora de Nazareth. Mas na realidade eu acho que é pelo povo”.
Para finalizar, responde uma pergunta da vereadora Adriana quanto ao Porto de Jaconé e desmente que já houve um decreto do governador Pezão: “Saiu uma nota no jornal dizendo que o Pezão criaria um APA (Área de Proteção Ambiental) ou um Refúgio da Vida Silvestre, no local. O prefeito de Maricá tem tentado de todas as formas colocar o porto lá na Praia de Jaconé, que vai afetar muito pouco Maricá, mas afeta muito Saquarema. Eu gostaria que o governador assinasse o decreto, o mais rápido possível. Mas se não for possível quero saber quais as compensações ambientais e sociais para o município de Saquarema? Vou tentar impedir o porto. Eu não trabalhei 26 anos para alguém vir aqui e destruir a minha cidade”.

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Sobre o autor

Dulce Tupy é editora do jornal O Saquá e da Tupy Comunicações.