Escravos das urgências

Cultura È NotÌcia - Beatriz Dutra

Que estará acontecendo com esta nossa vida cada vez mais apressada, mais conturbada, mais cheia de necessidade a atender? Fala-se em progresso e cada vez maior é o caos; em modernas tecnologias, mas cada vez mais fica a sensação de falta de tempo, de frustração, de vazio, e a constatação de que o essencial está ficando à margem…

Só o presente, o hoje, o agora, o já, interessam. Ao que tudo indica, estamos na “cultura do imediatismo, que apaga o passado, bloqueia o futuro e afeta as nossas escolhas políticas, sociais e ambientais”, segundo pensador americano focalizado pelo jornalista Bolívar Torres, no suplemento “O Globo amanhã”, de 09.07.2013.

“Com a disseminação da tecnologia digital tornamo-nos escravos do presente (…) Vivemos suspensos na urgência do momento, obrigados a dar conta de tudo ao mesmo tempo. (…) Todos os problemas do planeta são urgentes – crises econômicas, políticas, sociais e ecológicas – e ninguém mais sabe qual deles deve-se resolver primeiro.” Eis um “diagnóstico sobre o mundo contemporâneo“ feito por Douglas Rushkoff, professor de estudos de mídia na The New School University de Manhattan, colunista do “New York Times” e escritor traduzido para mais de 30 línguas. Para ele, em seu mais recente livro, o polêmico “Present shock: When everything happens now” (Choque do Presente: quando tudo acontece agora) “as mídias digitais aboliram a idéia do amanhã. O tempo deixou de ser um conceito linear para dar lugar a uma espécie de instante prolongado.”

Diante disso, amigos, como viver melhor? Como readquirir o prazer da contemplação e de uma vida mais sossegada, mais simples e mais saudável? Creio que antes de mais nada é preciso estar atento a todas as pressões do cotidiano. Depois dessa consciência, procurar selecionar de acordo com os nossos valores e nossa vontade, as trilhas que certamente nos farão mais realizados e felizes.
Lembro de uns versos que escrevi há algum tempo, mas que estão tão atuais como se tivessem sido escritos hoje: Eu não vou sufocar os meus sonhos/eu não vou…/Eu não vou abrir mão da emoção de viver cada dia…/Eu não vou me deixar arrastar pela correnteza/ Ah, eu vou me agarrar o que gosto e quero com toda certeza!…

Pois é!… E felizmente, na amada Saquarema, a velocidade da vida não é tão massacrante como nas megalópolis, e ainda há tempo para sonhar e ser feliz…

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Sobre o autor

Beatriz Dutra é poeta, “Cidadã Saquaremense” e membro da Academia de Letras Rio – Cidade Maravilhosa.