Rio+20, ainda há muito o que falar

A conferência da ONU já não é mais assunto da grande mídia depois que os pavilhões foram esvaziados, mas os resultados desta mobilização em prol da sustentabilidade deveriam continuar em foco para que a sociedade permaneça informada e consequentemente exigindo soluções para os graves problemas de ordem ambiental.

A começar pelos assassinatos dos pescadores da AHOMAR – Associação de Homens e Mulheres do Mar, que também eram ativistas e denunciavam crimes ecológicos na Baía de Guanabara, local de grande interesse econômico e consequentes impactos socioambientais. E enquanto houver mártires significa que a caminhada ainda segue pela contramão, que os ouvidos estão moucos e que as atenções permanecem voltadas à morbidez dos escândalos.

Porém a esperança dos ambientalistas é imortal e o legado segue agregando valores e transformando “O Futuro que Queremos”, não por acaso título do documento redigido para finalizar a Rio+20. Se não houve adesão dos países dominantes à Conferência, a pressão dos 188 participantes pode ser vista como uma resposta de união faz a força. Vide Cúpula dos Povos, um dos eventos paralelos onde etnias, culturas e línguas diversas interagiam como forças naturais análogas que se equilibram.

O entendimento de uma nova estrutura social é condição básica para que possa ocorrer o tão esperado desenvolvimento sustentável, tema central da Rio+20. Em âmbito nacional, discussões recorrentes aguardam maior mobilização social, seja para discutir a votação do novo Código Florestal ou para questionar os reais benefícios de Belo Monte. Para tanto, a selvageria humana impede o diálogo por questões economicamente viáveis quando o modelo de desenvolvimento atual não contempla soluções para causas e consequências das mudanças climáticas. Dentro de um contexto histórico, somente pela democracia será possível encontrar meios de reconhecer a maturidade de uma verdadeira governança preocupada com a temática ambiental.

Se a Rio+20 não atendeu a toda expectativa, trecho do artigo do diretor-editor da Envolverde, o conceituado jornalista Dal Marcondes, congrega a proposta: “É importante que se tenha em mente que cada governo individualmente, cada organização e cada pessoa pode avançar, ir além, trabalhar pelas utopias que sempre são as sementes de grandes realizações da humanidade”.

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Sobre o autor

Alessandra Calazans é jornalista.