Entrevista com o deputado Paulo Melo, presidente da Assembleia Legislativa

Paulo Melo há 6 meses na presidência da ALERJ (Foto: Edimilson Soares)

Paulo Melo há 6 meses na presidência da ALERJ (Foto: Edimilson Soares)

Ao completar 6 meses na presidência da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ), o deputado Paulo Melo concede uma entrevista exclusiva ao jornal O SAQUÁ, em seu gabinete, no Palácio Tiradentes. Antes, porém, posa para fotografia com jovens estudantes que o aguardam na escadaria interna do saguão de entrada. Na antessala do seu gabinete, políticos, assessores, prefeitos do interior, secretários e vereadores o aguardam para uma audiência, nem que seja de poucos minutos. Afinal, poder privar de um rápido momento com o presidente da ALERJ, atualmente, é um privilégio de poucos. Mas, com paciência para a longa espera, tudo se consegue. Inclusive uma conversa começando pela indagação sobre o futuro político de sua terra natal Saquarema, onde a esposa, Franciane Motta, exerce o cargo de prefeita.

O SAQUÁ – A prefeita Franciane Motta é candidata a reeleição em Saquarema?

Paulo Melo – Com toda certeza. É uma imposição do PMDB e uma necessidade da cidade. Logicamente que para isso a gente depende da vontade do povo, mas nós estamos fazendo um trabalho sério. O Pólo Industrial de Sampaio Corrêa, a Escola Técnica de Bacaxá e o novo Hospital são exemplos da nossa administração. Já estamos iniciando um novo convênio para asfaltamento de mais ruas em Saquarema, além das que estamos fazendo e das que já estão contratadas. Franciane está fazendo uma revolução na educação. Antes, todo mundo era amigo da educação, mas ninguém nunca teve um Plano de Cargos e Salários para educação. Hoje, o valor pelo qual os professores do Estado do Rio de Janeiro estão brigando, é o que nós já pagamos em Saquarema! A candidata do PMDB, Franciane Motta, vai continuar à frente da prefeitura nos próximos 4 anos, a partir de 2014, se o povo assim desejar.

O SAQUÁ – A Lagoa de Saquarema está muito assoreada. Como está o andamento deste projeto ambiental?

Paulo Melo – A dragagem já foi aprovada pelo FECAM (Fundo Estadual de Conservação do Meio Ambiente). Vamos fazer aqui um pequeno retrospecto: há quanto tempo a barra da Lagoa de Saquarema não fecha? As pessoas estão reclamando e têm o direito de reclamar. Mas antes da Barra Franca, fechava todo mês! Há quanto tempo inúmeras famílias se sustentam com os camarões que são pescados na Lagoa de Saquarema? Há quanto tempo a lagoa voltou a dar vida para os peixes? A Barra Franca é uma obra complexa, que necessita de estudo de impacto ambiental. O FECAM já liberou os recursos para uma dragagem emergencial do canal até a ponte e depois uma dragagem total, além do alongamento de mais de 200 metros do molhe.

O SAQUÁ – Recentemente, foi anunciada a água para Jaconé, mas a verdade é que ainda não chegou água nem a Barra Nova. Como está a questão de distribuição de água em Saquarema?

Paulo Melo – A Águas de Juturnaíba é uma empresa particular, que ganhou, num processo de licitação, o direito de exploração da Represa de Juturnaíba, que fornece água para a Região dos Lagos. Ela atua em Silva Jardim, Araruama e Saquarema. Ela está fazendo o que pode, inclusive adiantou todos os investimentos, em água e esgoto. Por exemplo: Vilatur era para ter água somente em 2015 e, no entanto, já tem água; Água Branca e outros lugares também. No Boqueirão, já tem água em toda sua extensão e nós chegaremos em Barra Nova em breve, num gesto de boa-vontade da empresa, que está antecipando seu calendário de investimento. As pessoas têm que parar de conjecturar. A água foi uma dificuldade, tendo em vista que era um prejuízo para a CEDAE. Porém, já que o contrato da Águas de Juturnaíba não inclui o Terceiro Distrito, Sampaio Correa e Jaconé, nós conseguimos convencer o Governo do Estado a determinar um investimento de cerca de 8 milhões de reais, para botar água em Jaconé, pois Sampaio já tem um sistema próprio de abastecimento.

O SAQUÁ – Dizem que a praça que está sendo feita ao lado do Clube Saquarema é uma obra que está se arrastando e que só será inaugurada na época de eleição…

Paulo Melo – Claro que não é verdade, mas graças a Deus que existem obras para serem inauguradas! Aquela praça ficou 6 anos abandonada pelo governo passado. Nós estamos dando uma função para aquela praça. Eu entendo que o povo reclame, mas o povo tem que entender que as coisas são difíceis; às vezes as coisas não saem com a rapidez que eu mesmo gostaria que saísse. A praça vai acontecer e não vai ser no processo eleitoral não, vai ser muito antes.

O SAQUÁ – E o tão sonhado calçadão da Praia da Vila? As pessoas estão dizendo que foram retirados os quiosques, mas que ainda não foi apresentado um novo projeto.

Paulo Melo – Em primeiro lugar a prefeitura não tirou os quiosques, a prefeitura cumpriu uma ordem da Justiça, sob pena de prisão da prefeita! Para se ter uma ideia, as pessoas estão reclamando dos quiosques, mas em Búzios derrubaram casas de dois, três milhões de dólares, por determinação da justiça. Graças a Deus que a justiça só determinou a retirada dos quiosques. Agora, antes de qualquer coisa, a prefeitura tem um prazo para fazer o replantio das espécies nativas, como a batateira, e o projeto do calçadão já está em estudo, porque não adianta fazer um projeto que não se possa instalar na orla da praia que é patrimônio da União e da Marinha. Hoje só se faz projeto na praia com licença do governo federal…

O SAQUÁ – Como é o cotidiano do atual presidente da ALERJ?

Paulo Melo – Às 5:30 da manhã saio de casa. Basicamente esta é a minha vida. Hoje tudo está mais difícil, porque eu não posso frequentar os locais que eu gostaria de freqüentar. Eu tenho determinação da segurança, inclusive da segurança do Estado, para tomar alguns cuidados. Como presidente da Assembleia Legislativa, institucionalmente sou presidente de um poder, que tem a função até de assumir o Governo do Estado, no caso do governador e do vice-governador viajarem, por exemplo. E tenho que atender as instituições, as organizações, as entidades de classe, os estudantes, as pessoas que visitam a ALERJ. Então, minha vida não é aquilo que se possa dizer que é a mais tranquila do mundo. Claro que você fica inebriado pelo poder, você chegou ao poder, mas com grande responsabilidade e um desgaste pessoal muito grande. Agora, ninguém me obrigou a estar aqui. Eu estou aqui por livre e espontânea vontade e tenho que me acostumar com isso, dar o melhor de mim e justificar, perante Deus e as pessoas que acreditaram, que eu mereço estar neste espaço.

O SAQUÁ – Poderia fazer um balanço desses 6 meses na presidência da ALERJ?

Paulo Melo – A Casa melhorou muito. Eu tenho presidido todas as sessões; a Casa funciona religiosamente todos os dias e as sessões plenárias acontecem no horário regimental. A Casa intermediou conflitos como no caso do Corpo de Bombeiros; na qualidade de presidente negociei a saída para o impasse diretamente com o governador Sérgio Cabral e com o coronel Sérgio Simões, comandante do Corpo de Bombeiros. Junto com outros companheiros da Casa, inclusive o autor da lei, negociei a anistia aos bombeiros. Eu tenho me reunido com todos os deputados. Aquilo que parecia ser uma desconfiança dos deputados, que o Paulo Melo subiria nos “saltos”, foi engano para todos; eu atendo todos os deputados, os de situação e os de oposição! Tenho feito uma interlocução permanente com a sociedade, com a sociedade civil organizada, com a sociedade produtiva do nosso Estado. Tenho participado de eventos que engrandecem o parlamento estadual e promovido eventos que também fazem com que o parlamento consiga uma comunicação melhor, consiga se comunicar para fora. E uso, logicamente, a condição de presidente da Assembleia para intermediar, junto ao Governo do Estado, as suas políticas. Então, em 6 meses, que estamos completando em agosto, já fizemos muito e esperemos continuar fazendo muito mais.

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Sobre o autor

Dulce Tupy é editora do jornal O Saquá e da Tupy Comunicações.