Da paixão

Cultura é Notícia - Beatriz Dutra

Não conheço sentimento mais urgente e avassalador que a paixão – correnteza indomável que aniquila o bom senso, o equilíbrio, a lucidez, a razão.

Vinicius de Moraes, em famosa entrevista concedida a Clarice Lispector, revelou que seu sonho era “viver a calma no seio das paixões”… Sonho de poeta… Sonho de poeta…

A médica Cibele Fabichak, especialista no tema, em recente livro lançado, assim se refere ao estado de enlevo que se apossa dos apaixonados: “A paixão, como descrita pela ciência, é um estado fisiológico, com sintomas psíquicos, em que há uma intensa atividade cerebral e hormonal muito semelhante à do vício por uma droga, como a cocaína”…

E seria possível alguém viver em estado permanente de paixão? Ainda segundo a referida autora, “vários estudos, tanto americanos como europeus, chegaram à conclusão semelhante: a paixão, esse estado de alteração mental e física muito característico, dura de 12 a 48 meses. A média é de dois anos. (…) Por mais que queiramos, o cérebro não consegue manter esse turbilhão de hormônios por muito mais tempo. É biológico, não tem como”…

Marc Chagall, célebre pintor russo, costumava retratar os apaixonados levitando, em estado de enlevo. Porque os apaixonados sempre levitam, seja nos céus de Paris, do Rio ou de Saquarema, enquanto a paixão durar…

Ps. Vocação, para Lygia Fagundes Telles, “é a paixão pelo oficio.” E com competência e paixão, Dulce Tupy edita, há dez anos o nosso querido O SAQUÁ. Parabéns a ela e equipe. É uma honra escrever para este jornal.

Capa O Saquá 123

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Artigo publicado na edição de agosto
de 2010 do jornal O Saquá (edição 123)

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Sobre o autor

Beatriz Dutra é poeta, “Cidadã Saquaremense” e membro da Academia de Letras Rio – Cidade Maravilhosa.