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Dia 20 de novembro foi declarado pela primeira vez como Dia da Consciência
Negra no Rio de Janeiro, pelo então governador Leonel Brizola,
inspirado pelo antropólogo Darcy Ribeiro. Ambos inauguraram,
na ocasião, o busto do guerreiro negro Zumbi dos Palmares,
na Praça Onze, berço do samba carioca. O local do evento
e a data não foram escolhidos por acaso. Dia 20 de novembro
é a data em que se comemora a morte do líder do Quilombo
dos Palmares, Zumbi, traído por um de seus guerrilheiros que
o esfaqueou numa cilada. E a Praça Onze, onde viviam os negros,
judeus e polacos pobres, foi o cenário onde surgiu e se estabeleceu
o samba urbano, perseguido pela polícia da primeira república,
mas que depois dos anos 30 tornou-se símbolo nacional.
Açoitados por séculos de escravidão, os negros
no Brasil só conseguiram se libertar em 1888, há 120
nos atrás, sendo o nosso país, junto com Cuba, o último
no mundo a declarar a libertação dos escravos. Esta
libertação dos negros que chegou tardiamente em nossa
sociedade é uma das raízes do preconceito racial que
persiste até hoje. Negros e mestiços têm sido
vítimas do racismo explícito ou velado, ao longo da
história, apesar de serem cidadãos como todos os demais,
pagarem seus impostos, terem seus filhos, estudarem ou viverem em
favelas, em condições muitas vezes subhumanas. Hoje
há estatísticas que comprovam que a maioria dos presos
nos presídios e cadeias é composta de oriundos da população
negra, ou seja, dos afro-descendentes, para usar uma terminologia
mais atual.
Também está comprovado que os negros têm salários
menores, no mercado e as mulheres negras, em especial, têm salários
ainda menores do que as mulheres brancas que também são
vítimas de preconceito. Apesar desta relação
perversa que se mantém até hoje, porém, muitos
negros têm conseguido se sobressair na escala social, principalmente
através do futebol, da música popular e das artes em
geral. Negros na política, por exemplo, ainda são uma
minoria. E
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nos cargos de primeiro escalão, tanto no serviço público,
como nas empresas particulares, negros ainda são exceção,
quase uma raridade.
Este ano, 350 municípios do Brasil comemoraram o Dia de Zumbi
dos Palmares ou Dia da Consciência Negra, em todo o país
e, no Rio de Janeiro, o presidente Lula inaugurou um busto em homenagem
ao chamado “Almirante Negro”, o marinheiro José
Cândido que se levantou contra as punições corporais
praticada na marinha, em 1910. Filho de José Cândido,
o Candinho, que trabalha na Associação Brasileira de
Imprensa, entre outros parentes, participaram do evento na Praça
XV, no centro da cidade. Lula revelou que pretende, talvez no ano
que vem, declarar o dia 20 de novembro feriado nacional. Nada mais
justo, em se tratando de um país que tem os antecedentes que
temos.
Afinal, não existe raça branca ou negra, vermelha ou
amarela. Existem sim a raça humana! A cor da pele pode ser
um diferencial para muita gente, principalmente para a burguesia e
membros da elite social, acostumados a medir as pessoas pela aparência.
Mas fatos relevantes na história, como por exemplo, a própria
eleição de Barak Obama para presidente dos Estados Unidos,
mexem e remexem com estas atitudes preconceituosas que se perpetuaram
ao longo do história. Filho de um imigrante africano, do Quênia,
com uma mãe americana, criado por um padastro da Indonésia,
portanto asiático, Obama tem e si vários continentes:
América, África e Ásia.
A luta contra o preconceito racial é uma conquista dos dois
últimos séculos. Desde a luta pela libertação
dos escravos, no século XIX até a luta pela independência
dos países africanos que viviam sob o jugo do colonialismo,
no século XX, a luta contra o racismo é imperiosa e
transcende o nosso Brasil. Um Brasil cuja riqueza é justamente
esta mistura das nossas origens, indígenas, européias,
africanas. Um Brasil plural de muitos matizes, que faz do povo brasileiro
um modelo a ser seguido por outros países. Isto não
significa que conseguimos resolver todos os nossos problemas de racismo.
Mas estamos caminhando para virar esta página triste da nossa
história.
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