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Essa pandemia vai permanecer conosco durante muito tempo

Editorial - Dulce Tupy

Professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, Portugal e da Faculdade de Direito da Universidade de Wisconsin-Madison (EUA), Boaventura de Sousa declarou que é consensual no meio acadêmico atual que pandemia vai ficar conosco por muito tempo. Uma matéria jornalística publicada no jornal Outras Palavras, com um artigo do professor Boaventura, detalha o fato de que essa pandemia será duradoura e vai consumir muito tempo para que suas características sejam melhor estudadas e definidas.

Assim, é certo que iremos conviver com a insegurança sobre a pandemia e ainda pouco sabemos das mutações do vírus. Mas já sabemos, com certeza, que a recorrência de pandemias está relacionada com o modelo de desenvolvimento e de consumo que temos, com as mudanças climáticas, a contaminação dos mares e dos rios e o desmatamento das florestas. Enfim, com o desequilíbrio ecológico na Terra.

IMUNIZAÇÃO GLOBAL

Sabemos também que a fase aguda desta pandemia (possibilidade de contaminação grave) só vai terminar quando 60% ou 70% da população mundial estiver imunizada, “o que é uma tarefa muito difícil, tendo em vista o agravamento das desigualdades sociais dentro de cada país e entre países”, sinaliza o professor. Além disso, a grande indústria farmacêutica não querer abdicar dos direitos de patente sobre as suas vacinas, o que facilitaria a imunização generalizada no planeta, em todos os continentes. Por outro lado, as medidas adotadas pelos países e o comportamento dos cidadãos são fatores decisivos para o controle e eliminação da pandemia. Segundo o professor Boaventura, “O maior ou menor êxito depende da combinação entre vigilância epidemiológica, redução do contágio por via de confinamentos, eficácia da retaguarda hospitalar, melhor conhecimento público sobre a pandemia e atenção às vulnerabilidades especiais”.

ARROGÂNCIA DE SEMPRE

Os países mais desenvolvidos do mundo – europeus e norte-americanos – demonstraram nessa pandemia a mesma arrogância de sempre. Bem antes que os europeus adotassem as máscaras, já os chineses a consideravam de uso obrigatório! Por outro lado, a União Europeia, os EUA e o Canadá recorreram exclusivamente às vacinas produzidas pelas grandes empresas ocidentais, abrindo mão de novas vacinas, fabricadas em países como Rússia, Índia e Cuba que está produzindo 5 vacinas, inclusive a Soberana que acaba de ser anunciada para todo o mundo, a primeira da América Latina. Calcula-se que o mundo precisa de 11 bilhões de doses de vacina para atingir a imunidade de grupo a nível global, a tal imunidade de rebanho. Porém, enquanto os países ricos avançam com a vacinação, os países pobres (80% da população mundial) têm menos acesso às vacinas disponíveis.

Mais uma vez fala o professor: “ninguém estará verdadeiramente protegido enquanto o mundo todo não estiver protegido; (…) quanto mais tempo se demorar a atingir a imunidade de grupo global, maior é a probabilidade das mutações do vírus se tornarem mais perigosas para a saúde e mais resistentes às vacinas”. Portanto, é preciso quebrar as patentes das multinacionais farmacêuticas, como defende uma vasta coligação de organizações não-governamentais, Estados e agências da ONU em favor do reconhecimento da saúde como um bem público e não como um negócio, visando a suspensão temporária das patentes”.

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