É preciso ter resiliência, em tempos de pandemia

Editorial - Dulce Tupy

Foi difícil, muito difícil, entender esses tempos de pandemia, logo que começou em março, no Brasil. Foram dias difíceis para todo mundo, mas parece que para nós, que vivemos na pacata cidade de Saquarema, o impacto foi ainda maior, porque mais contrastante com os dias tranquilos que tínhamos nós! Como combater o inimigo invisível, o coronavírus, com seu poder destruidor? Aos poucos fomos nos dando conta da gravidade do momento, nos acostumando ao uso de máscaras, ao impedimento de circular livremente pela cidade, ao obrigatório isolamento social que leva à solidão e às vezes à angústia e agonia. Tudo, tudo muito diferente da nossa vida anterior, antes da pandemia!

E acredito que nada será como antes. É o que dizem. É o que está acontecendo no mundo inteiro, onde o pico da epidemia já passou. Aqui em Saquarema, ouvíamos os comentários de que a crise iria só até meados de abril. Não foi! Estamos ainda em plena pandemia! Diziam que depois tudo iria voltar ao normal. Não vai! Nunca mais! Tudo será diferente depois da Covid 19 que assolou o mundo todo de uma só vez. Neste mundo globalizado, foram atingidos primeiro os mais ricos, que costumam viajar de avião. Então a doença se alastrou e agora é sobre os mais pobres que o Covid 19 recai, devido as péssimas condições de higiene da maioria da população. Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas) cerca de 40% dos povos do mundo não têm acesso à água! Como exigir que lavem as mãos?

CONTRADIÇÕES

A pandemia do Covid 19 escancarou as desigualdades sociais. Ricos podem ficar em suas residências luxuosas encomendando delivery pelo telefone. Pobres têm que trabalhar, com ou sem coronavírus. E quando retornam a suas casas, muitas vezes não tem água sequer para tomar um banho, lavar as roupas, higienizar pelo menos as mãos. É um mundo injusto e cruel que está aparecendo cada vez mais no noticário de todos os países. Países ricos estão conseguindo driblar a crise; países pobres têm mais dificuldade de se recuperar, vão demorar para sair da crise e com certeza terão maiores índices de contaminação. São as vítimas da desigualdade e da miséria.

Com o isolamento social, o planeta ficou diferente, com menos poluição no ar e no mar. A Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, ficou com águas claras e a presença da fauna marinha se multiplicou no mar: peixes, tartarugas, golfinhos e baleias. Com menos aviões no ar, aves começaram a voar livremente, enchendo espaços entre nuvens, palmeiras e todo tipo de árvores. Alguns animais silvestres passeiam nas ruas vazias de grandes e pequenas cidades, macaquinhos, marrecos, etc. E as pessoas dentro de suas casas adotaram novos estilos de vida, com crianças e idosos, os mais vulneráveis nesta pandemia.

ADAPTAÇÃO

Neste período, a palavra-chave é resiliência, a capacidade de se adaptar à realidade. Assim, o jornal O Saquá teve que se moldar aos novos tempos, reduzindo sua tiragem e, em vez de colorido, passou a ser impresso em preto e branco. A versão colorida ficou restrita ao site: www.osaqua.com.br. Um dos motivos foi o alto custo do papel jornal que sobe junto com o dólar, atingindo as gráficas e todos os periódicos, revistas e jornais. Desta forma conseguimos não interromper a circulação do jornal O Saquá que vai completar 20 anos de existência em julho, sem deixar de circular nenhuma vez, todos os meses nas bancas e nas mãos de seus leitores.

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Sobre o autor

Dulce Tupy é editora do jornal O Saquá e da Tupy Comunicações.