Adeus, Jesus Chediak, um artista múltiplo

Jesus com o presidente da ABI, Pagê, e o jornalista Azedinho (Foto: ABI/internet)

A Covid-19, que já fez milhares de vítimas no Brasil, vitimou o jornalista, escritor, cineasta e dramaturgo Jesus Chediak, 78 anos, diretor cultural da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e curador da superintendência de Artes da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro. Chediak estava internado no Rio, onde veio a falecer no dia 9 de maio. A Prefeitura de Duque de Caxias, cidade onde Chediak deixou sua marca como secretário de Cultura na gestão do ex-prefeito Alexandre Cardoso, decretou luto oficial de três dias.

Artista multi-talentoso, Chediak era associado da ABI há mais de 40 anos. Jogou sinuca com Villa Lobos nas lendárias mesas de bilhar do 11º andar da entidade. Participou de vários Conselhos da Casa do Jornalista, ao lado de celebridades literárias como Carlos Drummond de Andrade, Ferreira Gullar, Carlos Heitor Cony e outros baluartes da cultura brasileira. Foi diretor de Cultura durante a gestão histórica de Barbosa Lima Sobrinho e, mais recentemente, nas gestões Maurício Azedo, Domingos Meirelles e na atual de Paulo Jeronimo Sousa, o Pagê.
Precursor do cinema novo, lançou o Cine Macunaíma. Montou, uma peça sobre a morte do jornalista Vladimir Herzog, sob tortura no Doi-Codi, em São Paulo. Chediak foi também diretor da Casa França Brasil, professor da Universidade Federal da Bahia e autor de livros, entre eles “Brasil, país do presente: contribuições para a formulação de um socialismo cristão brasileiro”.

Uma de suas peças de teatro era a sofisticada “O poder dos inocentes”. Apaixonado pela sétima arte, Chediak escreveu os roteiros de “Os viciados” (1968) e “Banana mecânica” (1974). Como ator, chegou a trabalhar nos filmes “A lenda de Ubirajara” (1975), “Ladrões de cinema” (1977) e “As borboletas também amam” (1979). Produziu e dirigiu “Parto para a liberdade — Uma breve história de Pedro Aleixo”, documentário que revela acontecimentos inéditos nos bastidores da promulgação do AI-5, em 13 de dezembro de 1968. Chediak fez história ainda como ex-diretor da RioArte e do Teatro João Caetano.

Amigos deixam mensagens

O presidente da ABI, Pagê, lamentou a perda do companheiro de lutas. “Perdemos um grande companheiro, Jesus Chediak, diretor cultural da ABI; jornalista, escritor, cineasta, dramaturgo e professor: um homem plural! Estivemos juntos nas últimas 4 campanhas pela direção da ABI. Era muito mais que um amigo; era um irmão! Em tempos normais, faríamos o velório na própria ABI, que era a sua casa. Manifesto, em meu nome, da minha família e dos companheiros de militância e convívio fraterno na ABI, o mais profundo pesar por esta perda desoladora”.
O vice-presidente da ABI, Cid Benjamin, se despediu assim: “Chediak, a lembrança que vou guardar da nossa convivência é a melhor possível. Você vai fazer falta. Vá em paz, amigo”. O ex-deputado Vivaldo Barbosa escreveu: “Perdemos um grande lutador. Grande amigo, extraordinário companheiro de lutas. Vamos lembrá-lo sempre. Continuaremos”.

A conselheira da ABI, Ana Helena Tavares, uma das primeiras a trazer a triste notícia, chorou o amigo: “Infelizmente, o nosso querido Jesus Chediak não resistiu. Ele havia tido melhoras, mas acabou falecendo em decorrência de complicações da Covid-19. Estou absolutamente arrasada. Jesus é um patrimônio da ABI e da Cultura Brasileira. Que nós que o amamos e admiramos saibamos levar adiante seu legado. Descanse em paz, meu amigo”, escreveu.

Dulce Tupy, vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, homenageou o amigo: “Adeus, Chediak. Na última vez, nos encontramos na Biblioteca Parque, na Av. Presidente Vargas, num simpósio sobre carnaval, você me deu um livro sobre o patrimônio cultural no Estado do Rio de Janeiro. Você foi um verdadeiro intelectual, com seu terno de risca de giz, um lord, um príncipe da cultura, um dândi, como Oswald ou Mário de Andrade, naquele Rio Art Déco do século passado, que admirávamos tanto, saboreando um chá ou um chopp no Largo da Carioca ou na Cinelândia”…

O diretor da ABI Marcelo Auler, fez uma prece: “Continuemos rezando por ele e para ele, para que de onde estiver, primeiro ajude a consolar a dor que sua família sentirá, muito maior que a nossa, sem dúvida. Mas também que ilumine nossos caminhos nessa árdua luta contra este estado de coisa que estamos vivenciando. Contra essa ditadura que estão pouco a pouco plantando no país, com muita omissão dos mesmos Podres Poderes que ajudaram a chegarmos onde chegamos.”

(Texto baseado em matéria de Ana Helena Tavares e Claudia Sanches no site da ABI)

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