Menos barulho no réveillon, no centro, e pirataria nas praias

Editorial - Dulce Tupy

O Réveillon, uma palavra em francês que significa “despertar”, “reanimar”, ficou gravada no português como a véspera do Ano Novo, a virada do ano, no dia 31 de dezembro para o dia 1 de janeiro. Na cultura ocidental, costuma-se fazer uma ceia para se aguardar a chegada do novo ano e, meia-noite, faz-se uma queima de fogos. Aqui em Saquarema não é diferente, sendo que desde o ano passado a Prefeitura promove uma queima de fogos menos barulhentos do que os habituais, favorecendo o réveillon de crianças, idosos e animais, que sofrem com o excesso de barulho.

Porém, nas praias do município, que são muitas e extensas, as queimas de fogos não têm nenhuma fiscalização! Geralmente, os veranistas se unem aos moradores e comerciantes que apoiam queimas de fogos barulhentas e perigosas pois os fogos são armados nas areias, sem nenhuma fita de segurança, nenhum aviso de perigo, nada para informar a população! Isto tem feito vários acidentes nos bairros e, principalmente, queimaduras. Além disso, há sempre o risco de transeuntes desavisados passarem por baixo dos fogos pouco antes das explosões.

Foi exatamente o que ocorreu comigo e duas amigas que vieram desfrutar do réveillon em frente à praia, na minha casa em Barra Nova. Pouco antes da hora fatal, atravessamos a Av. Ministro Salgado Filho, mais adiante da minha casa, na direção da esquina do Centro do Vôlei, e chegamos até a areia onde várias pessoas já estavam acomodadas, algumas sentadas em cadeiras de praia ou em pé aguardando a queima de fogos. Resolvemos nos afastar um pouco do grupo para nos dirigirmos na direção em frente à minha casa, que existe há mais de 50 anos naquele mesmo local, onde moro há mais de 30 anos.

FOGOS NA AREIA

Quando estávamos chegando quase em frente à minha residência, reparei que algumas pessoas vinham em sentido contrário, correndo, e um rapaz veio em nossa direção, que não pude identificar devido à escuridão na areia, me chamando pelo nome (portanto me conhece) e avisando, gritando: “Volta! Volta! Não pode ir pra lá porque já acenderam os fogos! Só então me dei conta de que estava indo na direção dos fogos enterrados na areia, onde com certeza iria me queimar, pois eu nem sabia que ali haveria uma queima de fogos…

Quando saí da avenida para descer até a praia, pensei que todos estivessem alí para ver a queima de fogos atrás de igrejinha, no centro da cidade, ou em Jaconé, onde sempre há este tipo de queima de fogos, há anos. Mas não, eles estavam aguardando uma queima de fogos local, promovida por uma veranista, com apoio de alguns comerciantes, que se esqueceram de avisar a todos – eu digo todos – na vizinhança que haveria esta queima de fogos e pior: bem em frente à minha casa, onde vivo com meu marido idoso, adoentado, e com dois cachorros que quase morreram com o violento barulho dos fogos!

Não entendi porque a queima de fogos não foi na cabeça de rua, ao lado do Centro do Vôlei, onde não mora ninguém! Não entendi porque escolheram justamente a minha casa, para fazer este evento bonitinho, porém perigoso! Eu, particularmente, não sou fã de queimas de fogos barulhentos, e aprecio este movimento mundial de reduzir o barulho dos fogos para beneficiar crianças, idosos e animais. Mas é preciso promover eventos desse tipo com o menor risco possível! Por pouco eu poderia ter me queimado, junto com minhas amigas, convidadas para apreciar uma tradicional manifestação da cultura popular, lá longe…

BOM SENSO

É preciso ter consciência ao organizar eventos, para não incomodar a vizinhança e colocar em perigo pessoas do bairro, ou mesmo transeuntes menos avisados que podem passar por ali sem ter conhecimento dos fogos enterrados na areia, como ocorreu. Na escuridão da noite, pelo que vi, os fogos foram até bonitos, mas criaram pânico em mim e indignação em meu marido que ficou em casa, sofrendo diretamente com os estrondos tremendos produzidos pelos fogos apontados indevidamente para nosso portão! Nossos cães, coitados, só relaxaram horas depois, na manhãzinha daquela madrugada horrenda, tremendo, tremendo…

E aí pensei: nem um pingo de fiscalização! Nada! Nem uma lei, dizendo que para promover uma queima de fogos é preciso no mínimo de medidas de prevenção de acidentes, como em todo evento permitido pelo poder público. É preciso pelo menos um pouco de bom senso. Senão é terra de ninguém. É pirataria!

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Sobre o autor

Dulce Tupy é editora do jornal O Saquá e da Tupy Comunicações.