Cineasta Carlos Pronzato lança filme em Saquarema

Carlos Pronzato gravando o depoimento do líder indígena Miguel Guarani, da Aldeia de Maricá, tendo ao lado o geógrafo Victor Frias que conduziu a equipe até lá (fotos: Dulce Tupy)

Cartaz do filme Tamoios: a última batalha, criação do designer Thadeu Moraes

O cineasta argentino-brasileiro-baiano Carlos Pronzato vem a Saquarema no dia 10 de dezembro, Dia Mundial dos Direitos Humanos, lançar o seu mais recente documentário – “Tamoios, a última batalha” – sobre um dos episódios mais trágicos da história do Brasil. Trata-se da batalha que teria ocorrido no Campo de Maranguá, hoje distrito de Sampaio Corrêa, quando Saquarema fazia parte de Cabo Frio, nos idos de 1567. Última etapa da Guerra dos Tamoios, que se estendeu desde o litoral paulista até o litoral do Rio de Janeiro, foi um massacre de guerreiros de várias aldeias indígenas que se congregaram na Confederação dos Tamoios.

A Confederação dos Tamoios foi um ato heroico dos tupinambás que estavam em guerra contra os portugueses chefiados pelo governador Salema. Apesar da aliança estratégica com os franceses que ocupavam o litoral, em busca do pau-brasil, os tupinambás foram massacrados no antigo Cabo Frio, uma área desde os limites com Macaé até Niterói, na Baía de Guanabara.

No Rio de Janeiro, a Batalha de Uruçumirim, expulsou os tupinambás que habitavam o território do Flamengo e Catete. Fugindo em suas canoas ou correndo nos “peabirus’ (caminhos indígenas que ligavam as aldeias), a resistência indígena se instalou no Campo de Maranguá, hoje no município de Saquarema, onde estrategistas franceses foram enforcados e 500 guerreiros foram degolados na beira da praia, provavelmente Jaconé.

RESISTÊNCIA TUPINAMBÁ

Tupinambá, visto pelo frade francês André Thevet, autor do livro As singularidades da França Antártica

Esta história foi revelada em detalhes no livro “Tamoios, senhores do litoral”, do pesquisador Paulo Oliveira, editado pela Tupy Comunicações em 2010. Verdadeiro historiador popular, Paulo é um dos entrevistados no filme que também registra depoimentos de Carlos Alexandre e Jefferson Neves, do Museu de Conhecimentos Gerais, da liderança indígena Miguel Guarani, da Aleia de Maricá, o historiador Luiz Guilherme Scaldaferri, de Cabo Frio, o jornalista Sérgio Caldieri e o escritor e professor de literatura Ivan Cavalcanti Proença, a arqueóloga Filomena Crancio, o indígena José Guajajara, da Aldeia Maracanã, o escritor e acadêmico Antonio Torres, a escritora indígena Eliane Potiguara, o historiador Rafael Freitas da Silva, entre outros.

O documentário segue o padrão dos filmes de Carlos Pronzato, produzidos com baixo custo e em tempo recorde, o que não diminui em nada a qualidade da obra. Ao contrário, ao produzir em grande velocidade, “com uma câmara na mão e uma ideia na cabeça”, como dizia o genial Glauber Rocha, o cineasta imprime o ritmo alucinante de sua vida na própria textura do filme.

Formado em direção teatral, na Universidade Federal da Bahia (UFBA), com pós-graduação em teoria do teatro, Pronzato ganhou o Prêmio Especial do Júri na XXXVI Jornada Internacional de Cinema da Bahia, com o documentário “Madres de Plaza de Mayo, Verdad, Justicia” e o Prêmio Internacional Roberto Rosselini, no Festival de Maiori, na Itália, em 2009. Autor de mais de 50 documentários, vários livros de poemas, uma peça teatral, Pronzato é um artista do seu tempo, contemporâneo das lutas sociais, principalmente no Brasil e América Latina (Chile, Bolívia, Paraguai, etc).

Pronzato gravando o depoimento de Carlos Alexandre sentado em uma canoa no Museu de Conhecimentos Gerais, em Jaconé

Com o filme “Tamoios, a última batalha”, o cineasta resgata a memória do episódio exemplar de resistência indígena, no século XVI, no Brasil. Outros documentários realizados este ano foram em Sergipe, Rio, SP, “Porque não se fala em Manoel Bomfim?”, em Minas Gerais, “Lama, o crime Vale no Brasil, a tragédia de Brumadinho” e Paraná, “A Contra República de Curitiba”, todos já lançados. Agora é a vez deste épico sobre a Confederação dos Tamoios, inteiramente gravado na Região dos Lagos e na própria cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

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