Beleza…Por que não?

Cultura é Notícia - Beatriz Dutra

Nesta vida aturdida e corrida dos dias de hoje, onde a velocidade e a tecnologia imperam, muitas vezes, para que possamos atender às crescentes necessidades do dia-a-dia, afastamo-nos de algo natural, simples e essencial à vida: a BELEZA!… Sim, porque na correria em que vivemos, muitas vezes não a percebemos e a deixamos passar em vão. Não damos chance ao nosso olhar de captá-la… Beleza que pode estar tão perto de nós!… Perto dos olhos e do coração… E passar imperceptível, desperdiçada… E BELEZA, amigos, é fundamental!… (Faz tempo aprendemos com Vinicius). E se não condicionarmos nosso olhar para percebê-la, perdemo-la, talvez, irremediavelmente. E ficamos empobrecidos. Porque o BELO alimenta o espírito, encanta, seduz. E beleza é assim mesmo, escreveu CLARICE, “ela é um átimo de segundo, rapidez de um clarão e depois logo escapa”.

– Você viu a lua cheia de hoje?

– Não… não deu. Estava no computador e nem olhei para o céu…

Esse diálogo não é raro. Hoje em dia, é até comum…

– Você viu a nova rosa que abriu no nosso jardim?

– Puxa vida! Na correria, passei por ela e não a percebi…

E assim vai. Vamos ficando burocráticos e empobrecidos de beleza, porque ela não está sendo mais quase captada. Aqui lembro de um lindo trecho de Lygia Fagundes Telles: “É preciso amar o inútil, porque no inútil está a Beleza. No inútil está Deus.”

Para mim, o mais grave de tudo, é que estamos perdendo a capacidade de CONTEMPLAÇÃO. A pressa exacerbada está acabando com tudo de bom. O excesso de uso dos celulares e dos “note books” tem roubado a nossa atenção para o BELO – o que é muito triste, pois “contemplar o belo é fazer das pequenas coisas, um espetáculo aos nossos olhos”, assegura-nos Fénix Faustine. E “a CONTEMPLAÇÃO mais do que um dever, é uma OBRIGAÇÃO” – complementa BURCKHARDT. “Ela representa nossa parcela de LIBERDADE, em face do constrangimento das coisas e do império da necessidade”, assegura-nos o citado filósofo.

Assim, a meu ver, estamos em CRISE DE BELEZA. Não a captamos porque estamos perdendo a capacidade para contemplá-la. E isso está acontecendo pela pressa exacerbada e pelo excesso de estímulos ELETRÔNICOS… É muito oportuno esse trecho de célebre RODIN, por incrível que pareça, sobre esta questão: “Quando não percebemos a BELEZA, a falha é dos nossos olhos e não dela. Devemos transformar o nosso olhar para recuperar o encanto, o espanto e a maravilha de ver o BELO onde menos o esperamos.”

VIVA A BELEZA!

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Sobre o autor

Beatriz Dutra é poeta, “Cidadã Saquaremense” e membro da Academia de Letras Rio – Cidade Maravilhosa.