65 anos sem o presidente Getúlio Dornelles Vargas

Editorial - Dulce Tupy

Um programa do Núcleo Política e Cidadania, da TV Comunitária, TVC Rio, apresentado por Moysés Correa, trouxe um debate sobre o legado do governo Getúlio Vargas com 2 jornalistas: Beto Almeida, ex-vice-presidente da Fenaj, atual diretor da TeleSur, e Oswaldo Manescki, ex-diretor do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, atual presidente do Conselho Fiscal da ABI (Associação Brasileira de Imprensa). Vargas sempre foi combatido pelas elites, principalmente paulistas, herdeiras dos barões do café e da República Velha.

O gaúcho Getúlio, desde quando liderou a Revolução de 30, sempre significou o novo. Quando se suicidou no Palácio das Águias, no Rio de Janeiro, em 24 de agosto de 1954 – 3 meses depois de ter criado a Petrobrás – deixou um país estruturado. As forças reacionárias, juntamente com as elites, lideradas pelo jornalista Carlos Lacerda e o jornal Tribuna da Imprensa, tentavam convencê-lo a renunciar. Mas aquele tiro no peito e a Carta-Testamento assinada por Getúlio revelaram a coerência e dignidade do maior estadista desse país, num ato extremo, em defesa da soberania nacional.

A ERA VARGAS

Getúlio sempre governou para as massas. Por isso recebeu uma massa gigante, nas portas do palácio, onde seu corpo jazia com um tiro no peito. Quando o Repórter Esso, jornal de maior audiência na época, da extinta TV Tupi, anunciou a morte de Getúlio e foi lida a Carta-Testamento, o povo saiu às ruas quebrando tudo, mas principalmente postos de gasolina da Esso, empastelando o jornal Tribuna da Imprensa e atacando pedras na embaixada americana.
Quem melhor descreveu e analisou este período foi o jornalista José Augusto Ribeiro, na sua trilogia A Era Vargas. Getúlio inaugurou o Brasil moderno, porque antes dele o país era praticamente rural. Getúlio foi também o pai da industrialização brasileira, tendo criado a Usina de Volta Redonda, entre outras empresas estatais, hoje sendo privatizadas. A Revolução de 30, liderada por Getúlio, mudou a cara do Brasil. Em 1932, as mulheres ganharam direito ao voto (a França que só lhes deu esse direito em 1946).

Na Constituinte de 1934, os operários tiveram participação direta, o que não conseguiram nem na Constituinte de 1988. Getúlio abriu o Teatro Municipal para as camadas populares, antes reservado apenas aos ricos; popularizou a música erudita, através do maestro Villa-Lobos, abriu espaço para o Teatro do Negro, junto com Abdias do Nascimento, criou a Rádio Mauá, a Rádio Nacional e o programa Hora do Brasil, para fazer a integração nacional, num país de dimensões continentais. Getúlio consolidou as escolas de samba, incentivando os enredos sobre a história do Brasil.

CARTA-TESTAMENTO

Hoje, quando se fala na privatização da Petrobrás, estamos pisoteando a memória de Getúlio. Para o ex-governador de Pernambuco e ex-presidente da ABI, Barbosa Lima sobrinho, Getúlio foi o maior estadista do século 20 no Brasil! Ele praticamente nacionalizou a Amazônia, então loteada em 6 províncias, nas mãos da americana Standard Oil. Em 1938 Getúlio já tinha nacionalizado o petróleo. Durante a guerra faltou gasolina, Getúlio fez gasolina com mandioca, criou o trem do álcool, os navios com álcool, e também a primeira grande usina hidroelétrica: Paulo Afonso, na Bahia.

Getúlio foi grandioso; criou a Universidade do Brasil, a Usina Siderúrgica Nacional, o Sistema S (Sesi, Senac, Sesc), a Vale do Rio Doce (privatizada), é o patrono da ABI, a primeira instituição dos jornalistas, construiu o Clube de Engenharia, promoveu uma Auditoria da Dívida Externa e a Consolidação das Leis Trabalhistas. Hoje, quando se assiste o desmonte do estado, é preciso reler a Carta-Testamento de Getúlio que, segundo o professor Darcy Ribeiro, é o documento mais importante do nosso país.

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Sobre o autor

Dulce Tupy é editora do jornal O Saquá e da Tupy Comunicações.