Como se fosse um direito de resposta ao amigo Garcia

Editorial - Dulce Tupy

Ao ler minha coluna publicada na edição passada, sobre o livro “Mulheres na Luta Armada”, da historiadora Maria Cláudia Badan Ribeiro, o Coronel Garcia, um elegante conservador, discordou da minha análise sobre a conjuntura que vivemos no passado e no presente. Mas, respeitosamente, como um homem culto e espiritualista, em vez de me virar as costas e sair falando mal de mim, como muitos fazem, escreveu um contrapondo com suas observações legítimas.

O resultado foi esse texto que publico com sua autorização, como se fosse um direito de resposta. Ah! Ele também contesta a matéria do grande jornalista Silênio Vignoli, que sempre chama o presidente de capitão reformado. Mas é verdade: Bolsonaro é capitão reformado! Mas vamos ao texto de Garcia, com corte, devido à falta de espaço.
“Boa noite amiga. Acabei somente ontem de ler todo nosso jornal O SAQUÁ. Como nossa amizade sempre foi pautada pela sinceridade, resolvi alertá-la sobre o que eu discordo, ok? Na página 2, diz que quiseram ressuscitar a data de 31 de março a qual deveria ser esquecida, como se fosse honesto ‘apagar’ as verdades históricas do passado de uma Nação. No referido artigo seu autor escreve debochadamente oito vezes ‘o capitão reformado’ e eu gostaria que alguém dissesse para este senhor que esta pessoa é o meu, o seu, o de todos, o Presidente do Brasil!
Na página 3, em Mulheres na Retaguarda, a amiga escreveu : ‘Sim mulheres lutaram contra a ditadura’ negando a existência do Regime Militar. Eu pergunto: qual a ditadura que em 21 anos de existência teve 6 ‘ditadores’? Os 5 Generais foram ditadores e o sexto foi o Presidente Tancredo Neves ou o Ditador Tancredo Neves? Também posso te dizer o que houve dentro do gabinete do Presidente João Figueiredo, com o Ulisses Guimarães e porque ele não passou a faixa para o Sarney. ‘O golpe militar de 1964 trouxe um repertório de violência’. Para os democratas, como eu, o que existiu foi o ‘Contra Golpe’.

Saiba o que aconteceu no avião AVRO, da FAB, pertencente na época ao 1º/2º GT, Base Galeão. Você diz que ‘pegaram em armas as que fizeram treinamento em Cuba’, então queriam uma ditadura do proletariado ou defendiam a democracia? Ao final é dito que foi ‘Uma ditadura arbitrária, cruel, sangrenta, que durou 21 anos: de 1964 a 1985’.

CRÍTICA E PARABÉNS

Comentários finais: 1) Foi realmente uma guerra e houve violências dos dois lados, saiba a história verdadeira acontecida em Registro/SP, no Araguaia, em Xambioá, Recife, etc. 2) Pesquise sobre a famigerada ‘Comissão da Verdade’. 3) Leia os dois livros do Tenente Chico Dolar – Bacabá I e Bacabá II – sobre a guerrilha do Araguaia. 4) Somente quem esteve em operações especiais contra a tentativa de implantação do regime autoritário comunista é que pode, se for honesto, relatar o que sentiu de adrenalina dentro e fora da mata. Quando quiser podemos bater um papo sobre tudo isso. Gosto muito de vocês, e rogo ao Pai Celestial que continue a abençoar o casal amigo”. Garcia.
Não satisfeito com o comentário, Garcia acrescentou depois um adendo. “As pessoas deveriam aprender que, ao redor de uma mesa, podem estar adversários políticos, esportivos e religiosos, mas nunca serem inimigos e sim adversários. Podem ser jovens ou idosos, negros, brancos, índios, cafuzos ou curibocas; só não podem ser do mal. Deveria também ter feito comentários, com parabéns a você, sobre a bela página 5, sobre os 60 anos do Centro Social Madre Maria das Neves que minha esposa ajuda. Fica com Deus”. Garcia.
Sinceramente, adorei!

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