A relação doentia entre a falta de saneamento básico e a dengue, a zika e a chicungunha

Editorial - Dulce Tupy

Doenças provocadas pelo mosquito Aedes Aegypti, dengue, zica e chicungunha, têm atacado grande parte dos municípios em todo o país. Segundo pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) – Suplemento de Saneamento da Pesquisa de Informações Básicas Municipais – divulgada em setembro de 2018, entre os 5.570 municípios no Brasil, 34,7% registraram doenças relacionadas à falta de água potável, saneamento básico, tratamento de esgoto e coleta de lixo. Realizada de agosto de 2016 a julho de 2017, a pesquisa informa que 1.935 municípios relataram ter registrado epidemias ou endemias de diarreia, leptospirose, verminoses, cólera, difteria, zika, chikungunya, tifo, malária, hepatite, febre amarela, dermatite e outras doenças provocadas por vermes, bactérias e mosquitos.

A falta de água, leva as pessoas a estocarem água em reservatórios, o que facilita a reprodução dos mosquitos. O acúmulo de lixo nas casas, no comércio e nas ruas, que resultam da coleta de lixo insuficiente, gera outro fator de risco de doenças. Nos municípios, a doença que mais se alastrou foi a dengue que – assim como a zika e a chikungunya – é transmitida pela picada de mosquitos que se reproduzem em água parada. Outras doenças que causam epidemias e endemias nas cidades são a diarreia e as verminoses. A diarreia pode ser epidêmica ou endêmica e ocorreu em 1.288 municípios. Epidemia é quando uma doença infecciosa de caráter transitório ataca muitos indivíduos em uma determinada localidade. Já a endemia é quando uma doença acontece numa determinada região, mas não se espalha para outras localidades. Segundo o relatório, as verminoses ocorreram em 960 cidades do país. As causas dessas doenças geralmente são ingestão ou contato com água e alimentos contaminados, portanto vinculadas ao saneamento básico.

Em 2018, ainda são poucas as cidades brasileiras que seguem as diretrizes nacionais para o abastecimento de água, esgotamento sanitário, manejo de águas pluviais e resíduos sólidos. Apesar de ainda baixo, o número de municípios que possuem plano de saneamento aumentou em relação à pesquisa feita, em 2011. No atual relatório, apenas 2.126 municípios (38,2%) informaram ter a Política Municipal de Saneamento Básico. No entanto, o Plano Nacional de Saneamento Básico é de 2013, recomendando a adoção de políticas públicas de saneamento básico em todo o Brasil e a Lei Federal do Saneamento Básico é de 2007, trazendo uma série de normas sobre planejamento e gestão de políticas de saneamento. Apesar de todo esse arcabouço legal, os prazos de implementação dos Planos Municipais de Saneamento vêm sendo prorrogados. Somente a partir de 2019 todas as prefeituras do país precisarão apresentar o Plano para ter acesso a recursos federais.

Segundo o IBGE, a região que sofreram endemia ou epidemia de dengue, zika e chikungunha foram as regiões Nordeste e Norte. A doença mais citada foi a dengue. Eu aqui em Barra Nova, Saquarema, região Sudeste, sofro há 3 meses com as dores da chicungunha. Durante as minhas crises insuportáveis recorri aos serviços do PU de Saquarema, onde sempre fui muito bem atendida, mas não deixei de observar os inúmeros casos de dengue, zika e chicungunha entre os que estavam sendo atendidos também. Temos que saber se é uma epidemia ou uma endemia… Conheci uma senhora que estava simultaneamente com dengue, zika e chicungunha, coitada! Eu tive até sorte por estar apenas com dengue e chicungunha, que me impedem às vezes até de andar, levantar da cama, fazer os serviços domésticos, trabalhar. Espero que seja colocado em prática o Plano Municipal de Saneamento Básico que foi elaborado por técnicos sob a supervisão do Comitê de Bacia Hidrográfica Lagos São João, o mais rápido possível.

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Sobre o autor

Dulce Tupy é editora do jornal O Saquá e da Tupy Comunicações.