Livro revela a diversidade das plantas da restinga de Jaconé

Capa do livro sobre a restinga

O biólogo Carlos Ferreira, estagiário do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, visitou várias vezes o bairro de Jaconé, onde se encantou com a rica diversidade das plantas da restinga. Acompanhado pela também bióloga Thayane Patusco, que o auxiliou nas pesquisas, Carlos reuniu uma série de fotos das plantas, flores e frutos da restinga, especialmente o embiruçu, uma espécie arbórea com belíssimas flores brancas e frutos que liberam uma paina dourada, usada pelos antigos para fazer travesseiros.

Em 2015, junto com Thayane e Massimo Bovini, Carlos realizou um guia fotográfico da região, disponível no sítio: fieldguides.fieldmuseum.org/guides/guide/800. A aceitação foi tão boa que ele resolveu então produzir um livro com as espécies vegetais que ocorrem nos fragmentos de restinga de Jaconé, o pouco que restou após a ocupação desordenada do bairro e à especulação imobiliária.

A restinga tem um solo arenoso – pobre em argila – mas coberto por uma flora variada, onde as plantas se distribuem em zonas bem definidas, no sentido do mar para o continente, dependendo do vento, quantidade de sal, distância do mar, profundidade do lençol freático e outros fatores ambientais. Na restinga se encontram plantas rastejantes, campos, mangue, brejos e floresta.

Em Jaconé, a restinga forma um ambiente único, nas margens do canal Salgado, que liga a Lagoa de Jaconé à Lagoa de Saquarema. É justamente em uma parte deste localidade que se encontra uma unidade de conservação, a Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) Formigueiro do Litoral, nome do popular pássaro com-com, uma ave endêmica da região.

O biólogo Carlos Ferreira na Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) Formigueiro do Litoral, em Jaconé (Foto: DUlce Tupy)

No livro do jovem Carlos Ferreira, há 70 espécies de plantas da restinga de Jaconé, com fotos, nome popular e científico, hábito, status de conservação, formação vegetal, usos e curiosidades. Assim encontramos devidamente catalogada a popular aroeira, utilizada pelos índios guaranis e pelos padres jesuítas que a chamavam de “bálsamo das missões”, de onde se extrai a famosa “pimenta rosa”, caríssima na Europa, a palmeirinha guriri, com seus coquinhos para fazer cocadas e biscoitos, o ipê amarelo utilizado pela medicina popular para gargarejos e inflamações bucais, o jacarandá e a caixeta, entre outras.

O gravatá, espécie de bromélia, que deu nome a um bairro próximo ao centro de Saquarema, com muitos espinhos e um fruto que seve para fazer doces, geléias e sorvetes, é indicado também para fazer um xarope para cortar a tosse, e ainda serve com sua folhagem e espinhos para fazer cercas vivas; a folhagem do gravatá serve também para extração de fibras e confecção de cordas e redes dos pescadores. Há também a salsinha da praia, o caqui da mata, a canela branca, o marmelo do mangue, o ingá-mirim, o cambuí da restinga, o murici, o cipó orquídea, o algodoeiro do brejo, a quaresmeira, a pitanga, o maracujá mirim, e a embaúba, entre tantas outras espécies nativas. O livro Plantas da Restinga de Jaconé foi lançado em 2017, no Rio, e recentemente no Museu de Conhecimentos Gerais, em Jaconé, após uma visita à ARIE Formigueiro do Litoral.

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