“Vem pro Bola, meu bem: 100 anos”..

Cultura é Notícia - Beatriz Dutra

A vida voa… voa a vida!… Natal passou… “Reveillon” passou… Janeiro nublado, cinzento, chuvoso, passou… Janeiro de 40º, com sol causticante e praias lotadas, também passou… Como também passou o atropelamento de dezessete pessoas, por motorista de carro que invadiu o calçadão de Copacabana, em alta velocidade, e foi parar na areia… “Viver é muito perigoso”, diria Guimarães Rosa.

Fevereiro chegou… E falar de Fevereiro é falar de CARNAVAL – festa em que o povo se fantasia, canta, abre os braços e solta seu grito de PROTESTO pelo que a vida está sendo e o que poderia ser… Mas ao falar de Carnaval, não poderíamos deixar de prestar uma pequena homenagem, ao mais tradicional bloco carnavalesco do Rio: o “Cordão do Bola Preta”, que neste 2018, comemora o seu Centenário.

Tudo começou quando, em 1917, “dois foliões irreverentes, bons de copo e de briga, Kveirinha (Álvaro Gomes de Oliveira) e Chico Brício (Francisco Carlos Brício) romperam com o tradicional Clube dos Democráticos, sociedade recreativa carnavalesca, da qual eram membros. Da dissidência veio um bloco, o “Só se bebe água”, que no ano seguinte viraria o “CORDÃO DO BOLA PRETA”, segundo Paula Lacerda, em excelente matéria publicada na revista “Rio Show”, do jornal “O Globo”, de 19.01.2018.
Por muito anos, o “Bola Preta” abriu oficialmente o Carnaval carioca. Ele também é considerado um símbolo de resistência do carnaval de rua. E quem diria que o “BOLA”, que nos seus primeiros desfiles, teve burros puxando seus carros alegóricos, hoje arrasta uma multidão de foliões que quer alegria, alegria e alegria!!… Em 2005, ele “realizou o mais longo desfile da sua história, com sete horas de duração… E em 2012, o “BOLA PRETA” teria reunido 2,5 milhões de foliões, mais que o registrado no Guiness World Records pelo “Galo da Madrugada”, de Recife.

Nas celebrações do Centenário do “BOLA”, Maria Rita, filha de Elis Regina, foi coroada “MUSA” por Monarco. E vai gravar a “Marcha do Cordão do Bola Preta”, com os famosos versos: “Quem não chora, não mama / segura, meu bem, a chupeta / lugar quente é na cama / ou então, no Bola Preta”. Disse ela: “esse convite é uma coisa imensa pra mim. Eu já considerava muito ser “madrinha” do “Bola”, um posto que foi de Elizeth Cardoso. E agora, regravar esse hino é demais!”

Sabemos todos que essa gravação será linda! Linda e merecida. Afinal, vi e ouvi na TV, no “Jornal Nacional”, de 20/01/2018: “A essência do “Bola Preta” é a essência do Brasil!”… Viva o “Bola” nos seus cem anos de irreverência, contestação e alegria, alegria e… ALEGRIA!

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Sobre o autor

Beatriz Dutra é poeta, “Cidadã Saquaremense” e membro da Academia de Letras Rio – Cidade Maravilhosa.