Corrupção generalizada ameaça eleição

Moreira Franco Ministro-Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República (Foto: Divulgação/planalto.gov.br – Governo Federal)

Terminado o Carnaval, agora são os políticos que se preparam para botar seus blocos nas ruas, articulando contatos com correligionários e cabos eleitorais (propaganda só em agosto), visando a montagem da campanha para as eleições de 7 de outubro, quando estarão em jogo, além da presidência da República, todos os governos estaduais, 2/3 do Senado e os mandatos dos deputados federais e estaduais. Estas são as chamadas “eleições gerais” porque, mesmo sem incluir o pleito para prefeito e vereador, envolve todo o país, abrangendo os eleitores dos 5.570 municípios, em sua maioria afetados pela decadência moral da corrupção generalizada que levou seus líderes à cadeia ou à inelegibilidade, de acordo com a gravidade do crime. É isto que torna difícil o surgimento de candidatos que empolguem o eleitorado.

O ministro do Supremo, Luiz Fux, que acaba de assumir a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em substituição a Gilmar Mendes, foi taxativo em seu discurso de posse: “Depois do Mensalão e da Lava-Jato, a sociedade não aceita mais esse método de vencer as eleições. Político ficha-suja é irregistrável”. A operação Lava-Jato detonou grande parte da classe política brasileira. No Estado do Rio, a operação Cadeia-Velha, um desdobramento da Lava-Jato, atingiu duramente o MDB (ex-PMDB), com a prisão de importantes nomes de sua cúpula dirigente, acusados de participarem uma organização criminosa chefiada pelo ex-governador Sergio Cabral.

Rejeição aos partidos

Hoje há um movimento interno, liderado pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Moreira Franco, com aval do presidente Michel Temer, visando reorganizar o partido, rumo às eleições. O fato da atual cúpula dirigente do MDB estar presa prejudica não só a imagem da sigla, como também enfraquece as negociações com outras legendas. Não custa lembrar que o MDB é a maior máquina eleitoral do Rio, desfruta do maior fundo partidário e maior tempo de propaganda na TV.

Vários municípios brasileiros se enquadram neste cenário adverso, sobretudo no que se refere ao fato de que os líderes das principais correntes políticas não estão livres das acusações que os tornam inelegíveis. Ademais, há que se considerar a situação dos estados falidos ou em regime pré-falimentar, como o Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e do Norte.

Nesse contexto, a única certeza possível sobre a política brasileira em 2018 é que vai haver eleição. Porém, segundo pesquisa Datafolha, é muito expressivo o número de eleitores que rejeitam os partidos políticos: 64% dos eleitores dizem que não têm partido! A decadência moral e a corrupção generalizada desmotivam os eleitores e ameaçam a eleição com abstenção recorde e grande número de votos brancos e nulos.

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Sobre o autor

Silênio Vignoli é editor adjunto do jornal O Saquá.