Desigualdade social: os pobres e os ricos

Editorial - Dulce Tupy

Relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), divulgado no final de 2017 – “Panorama Social da América Latina” – constata que o Brasil lidera a concentração da riqueza nas mãos do 1% mais rico da população. Depois do Brasil, os países que mais concentram renda são Colômbia, Estados Unidos, Argentina e Uruguai. No outro lado do gráfico, os três países que menos concentram renda são Holanda (6,3%), Dinamarca (6.4%) e Finlândia (7,4%). Segundo a CEPAL, a pobreza aumenta na América Latina, especialmente no Brasil, alcançando 30,7% da população.

Outro estudo, chamado “O Capital no século XXI”, revela que a desigualdade de renda no Brasil é a maior do mundo, semelhante ao Oriente Médio e algumas regiões da África. Também um novo relatório da ONG britânica Oxfam, “A Distância Que Nos Une”, demonstra que os 6 brasileiros mais ricos concentram a riqueza equivalente a dos 100 milhões de brasileiros mais pobres.

Segundo a lista da revista Forbes, os 6 mais ricos do Brasil são: Jorge Paulo Lemann (AB Inbev), Joseph Safra (Banco Safra), Marcel Hermmann Telles (AB Inbev), Carlos Alberto Sicupira (AB Inbev), Eduardo Saverin (Facebook) e Ermirio Pereira de Moraes (Grupo Votorantim), que têm, juntos, a fortuna de 88,8 bilhões de dólares, equivalente a 277 bilhões de reais.

Mais pobreza

A verdade é que nas últimas décadas, o Brasil conseguiu retirar milhões da pobreza, mas os níveis de desigualdade continuam alarmantes, com mais de 16 milhões de brasileiros vivendo abaixo da linha da pobreza. Segundo dados da pesquisa da ONG britânica, o número de bilionários brasileiros aumentou, sendo que mais da metade herdou patrimônio da família, o que mostra a incapacidade do Estado brasileiro de desconcentrar a riqueza.

Salário Mínimo

Assim sendo, as estimativas para os próximos anos no Brasil são ruins: aproximadamente 3,6 milhões de pessoas devem cair novamente na pobreza. O relatório acusa ainda que as mulheres vão igualar a renda com os homens em 2047 e os negros ganharão o mesmo que os brancos somente em 2089, se mantida a tendência dos últimos 20 anos. Segundo a Oxfam, os 5% mais ricos detêm a mesma renda que os 95% da população e os ricos pagam menos impostos que os pobres.

No final do ano de 2017, o presidente Michel Temer anunciou o corte de 25 reais no reajuste do salário mínimo, aumentando apenas 17 reais, um aumento abaixo da inflação. Foi o menor aumento em 24 anos; um verdadeiro golpe para os trabalhadores, aposentados e pensionistas que irão ganhar somente 954 reais em 2018. Cortar o salário mínimo significa aumentar a pobreza da maioria das famílias e milhões de brasileiros empobrecidos.

Pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) sobre a desigualdade no país, revela que no Brasil 44,5 milhões de pessoas ganham menos de um salário mínimo: cerca de 747 por mês. Enquanto isso, 889 mil pessoas mais bem remuneradas receberam em média 27 mil por mês, demonstrando que a desigualdade continua sendo reproduzida, agora com mais crueldade.

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Sobre o autor

Dulce Tupy é editora do jornal O Saquá e da Tupy Comunicações.