Portinari, um poeta ocasional

Livro da professora Kátia Devino analisa a obra poética do maior pintor do Brasil

Kátia na Escola Padre Manoel, onde pretende lançar seu livro sobre Portinari (Foto: Dulce Tupy)

A sala de leitura da Escola Municipal Padre Manoel, no Porto da Roça, é o cenário ideal para a entrevista com a professora Kátia Devino, que acaba de lançar o livro “Portinari, um poeta ocasional”, pela Editora Gramma. Fruto de uma tese de mestrado em Ciência da Arte, na Universidade Federal Fluminense (UFF), o livro faz uma comparação entre alguns quadros de Portinari com alguns de seus poemas, escritos quando o pintor foi impedido por recomendação médica de continuar pintando, devido à intoxicação adquirida no contato com as tintas, principalmente o amarelo.

Tanto os quadros como os poemas, a maioria com a temática social que caracteriza o grande mestre da pintura brasileira, revelam sua infância na pequena cidade de Brodósqui, no interior de São Paulo, onde Portinari viveu até os 16 anos. No Rio de Janeiro, Portinari foi aluno da Escola Nacional de Belas Artes, onde ganhou o Prêmio de Viagem à Europa, onde adotou como princípio artístico a opção de pintar a gente brasileira com seus traços típicos e sua cor.

Pintura e poesia social

Esse é o universo onde a professora Kátia se debruça, descobrindo um poeta “ocasional” que tem origem no pintor extraordinário que foi Portinari, consagrado no Brasil e no mundo. Formada em História e Geografia, graduada em Português e Literatura, Kátia fez Docência do Ensino Superior na Universidade Candido Mendes, no Rio, e Mestrado em Ciência da Arte em Niterói. Com esta formação abrangente, esta apta a lecionar do Ensino Fundamental à Pós-Graduação, mas é na escola em Saquarema onde ainda dá aulas que pretende lançar seu livro “Portinari, poeta ocasional”, lançado em novembro no Rio de Janeiro.

Nora do professor, doutor e poeta Latuf Isaías Mucci, com quem conviveu durante 20 anos, mãe de seus 3 netos (João Otávio Latuf (23 anos), Vitória Sherazade Latifa (13 anos) e Gabriel Otávio Latuf (11 anos), Kátia está alcançando agora tudo que prometeu ao avô, Antônio Fidelis Marins, o “Goga”, em Araruama, quando ainda era criança: nunca deixar de estudar “para ser alguém na vida”. Kátia agora é “alguém”. Uma professora que se projeta no círculo acadêmico, com um livro formidável, revelador do talento poético do genial Portinari.

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