O petróleo é nosso e o pré-sal também

Editorial - Dulce Tupy

O Movimento de Aposentados, Pensionistas e Idosos (MAPI) promoveu no Instituto Leonel Brizola – Alberto Pasqualini, na Praça Tiradentes, no Rio, a palestra “A Sociedade Brasileira, o Petróleo e a Petrobrás”, proferida por José Antonio Simões, diretor cultural da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET) e conselheiro da Associação Cultural José Marti. Com rara erudição, o engenheiro retomou o fio da história do petróleo no Brasil, desde 1892, quando foi perfurado um poço no governo do presidente Floriano Peixoto, sem encontrar no entanto o nosso “ouro negro”. Já em 1939, em Lobato, na Bahia, foi encontrado pela primeira vez petróleo no Brasil, contrariando técnicos estrangeiros. Dois anos depois, em 1941, jorra petróleo em Candeias, também na Bahia, tornando-se o primeiro poço produtor no país.

A partir daí começa um debate sobre a nacionalização ou internacionalização do petróleo que desemboca na famosa campanha “O petróleo é nosso” que por sua vez desencadeia a criação da Petrobrás, em 1953, no governo Getúlio Vargas. Segundo alguns historiadores a criação da Petrobrás foi a gota d’água do movimento contra Getúlio, que o levou ao suicídio em 1954, menos de um ano depois. O presidente Getúlio Vargas já tinha dado início à indústria petroquímica nos anos 30 e completou sua obra criando a Petrobrás, contrariando as multinacionais do petróleo, de olho no petróleo brasileiro. “Sem em energia não há desenvolvimento possível”, fala o Dr. Simões. “A importância estratégica do petróleo (óleo e gás) decorre principalmente de sua participação majoritária na matriz energética mundial. É matéria prima para fabricação de milhares de produtos. O domínio das reservas e da produção do petróleo e seus derivados é fundamental para a soberania de uma nação”, completa ele, em sua palestra.

E continua: “A disputa entre países produtores, países consumidores e companhias petrolíferas pelo controle do ouro negro é acirrada. Das 20 maiores companhias do mundo, 14 são controladas pelos Estados”, diz ele, citando as gigantes empresas multinacionais: Esso e Chevron, dos EUA, a BP, do Reino Unido, a Shell, da Holanda e Reino Unido, a Total, da França e a Lukoil, da Rússia. Concentradas em poucos países, neste ranking também se encontram a Arábia Saudita e Venezuela, com cerca de 280 bilhões de barris cada, Irã e Iraque, com quase 150 bilhões cada, Kuwait e Emirados Árabes, com 100 bilhões cada, e o Brasil, com 13 bilhões, sem contar a reserva do pré-sal que é gigantesca, com uma área de 800 km de extensão, entre o Espírito Santo e Santa Catarina, com 200 km de largura, e perspectiva de alcançar 180 bilhões de barris.

Petrobrás é só sucesso

Pioneiro na exploração do petróleo em águas profundas, o Brasil teve uma grande derrota em 1997, durante o governo “entreguista” do neoliberal Fernando Henrique Cardoso, quando a indústria petrolífera foi liberada à iniciativa privada, quebrando o monopólio da Petrobrás. Em 2006, com a descoberta do pré-sal, no governo Lula, o regime de concessão foi alterado para o de partilha, ficando a Petrobrás como única operadora do pré-sal. A vantagem era o Estado poder controlar o ritmo da produção, manejar a venda do petróleo e poder planejar o setor. Hoje, sob o governo Temer, a Petrobrás está proibida de ser a única operadora e não é mais obrigada a participar de todos os consórcios de exploração, mudando a política de proteção da empresa. Produzindo 1,5 milhão de barris por dia, a Petrobrás já acumulou quase 1 bilhão de barris produzidos pelo pré-sal. Segundo Simões, o pré-sal tem óleo de excelente qualidade e grande quantidade de gás natural. Para ele, A Petrobrás é a mais importante história brasileira de sucesso. Uma história que ele compartilhou em anos e anos de trabalho como engenheiro e que não quer ver destruída pela ganância das multinacionais.

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Sobre o autor

Dulce Tupy é editora do jornal O Saquá e da Tupy Comunicações.