Na rede da varanda…

Cultura é Notícia - Beatriz Dutra

Tarde de domingo, primaveril… Temperatura amena… Céu de puríssimo azul… Brisa fresquinha vinda do mar, a afagar meu rosto… E o verde… “verde que te quero verde”, das copas das árvores com a eterna mensagem de esperança… E como se não bastasse, a encantadora presença das andorinhas, cortando o azul do céu com seus velozes, alegres e estonteantes voos… Ah! Mas está tão bom que decido ali permanecer para me recuperar das agruras da semana… Fecho os olhos, relaxo e logo vem à minha lembrança, não sei vindo de onde, trecho de versos que escrevi na minha juventude:

Eu não posso entender que bem-querer seja limitar…
Eu me quero solta, eu me quero livre, eu me quero natural…
Pra viver mais leve, pra viver melhor, quero ser o que sou…
Se você me escolheu pra você, e quiser me conter, me tolher
Ouça bem o que vou lhe dizer: EU PRECISO SER EU, senão vou morrer!…

Pois é: “SER O QUE SOMOS”, ensinou Carl Rogers… O tempo passou e esses versos e esse princípio rogeriano nortearam a minha vida… E não posso me queixar, não: muitos objetivos já foram alcançados e há vários deles, ainda a alcançar… A brisa continua a me acariciar e a levemente me embalar… Ainda de olhos fechados e em meio a tanta paz, agora vem à minha lembrança, frase recente e perturbadora de Zélia Duncan:

“Não esperava que o Brasil fosse andar pra trás nessa velocidade de 7 a 1”…

Nem eu, Zélia!… Nem nós!… Mas sem querer perder a paz desses momentos, na rede da varanda, lembro, também, que apesar de tantas dificuldades que nosso País atravessa, em pesquisa feita em mais de 150 países, no “Relatório Anual de Felicidade” da ONU, o Brasil ocupa o 22º lugar… (Mas não é surpreendente?) tendo sido a Finlândia, “terra dos fiordes, dos vickings e do bacalhau”, a grande vencedora: o país mais feliz do mundo! Mas, se com todas as nossas mazelas, ainda somos o 22º pais em “Felicidade”, não devemos abrir mão da esperança, de que em 2018, possamos melhorar e viver com mais qualidade e felicidade.

Entreabro os olhos… e meu olhar busca o vasto verde-esperança das copas das árvores!… E em meio a beleza, lembranças e devaneios… ali adormeço…

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Sobre o autor

Beatriz Dutra é poeta, “Cidadã Saquaremense” e membro da Academia de Letras Rio – Cidade Maravilhosa.