Gênero e Água

Uma discussão essencial sobre Gênero e Água constou da programação do XIX Encontro Nacional dos Comitês de Bacias Hidrográficas (ENCOB), realizado em Aracaju (SE). Em homenagem a Dra. Ninon Machado, pioneira neste assunto, fizemos 1 minuto de silêncio. Na roda de conversa que se formou, Clarissa Dantas, de Minas Gerais e Edna Calheiros, do Rio de Janeiro, lançaram ideias que a moderadora, “Mãe Lúcia”, da Bahia, reforçou.

Contribuições, sugestões, relatos, desabafos e indignações surgiram como relâmpago, no debate: quem falava era a barranqueira do Rio Salitre, uma ribeirinha como as de outros rios desta nação. Uma mulher, índia-negra, franzina, mas não é frágil! É guerreira, que deu um testemunho de ação, resiliência, resistência e luta contínua. Ela falou por nós e por todas as barranqueiras de todos os rios.

Conhecemos os resultados do Relatório da ONU sobre o impacto da água na vida das mulheres, com indicadores que apontam que estão mais expostas a riscos que os homens, em vários aspectos, principalmente quanto à saúde. Assim, as políticas públicas voltadas para o cuidar das águas precisam entrar na pauta da luta das mulheres.

Durante o Seminário Gênero e Água, pudemos nos apropriar de alguns conhecimentos já sistematizados em 4 cartilhas editadas pela Gender and Water Alliance (GWA): Visão de gênero: o que é isso?; Gênero, água, saneamento e saúde; Gênero, água e eventos climáticos; e Gênero, água, agricultura e alimento. Ilustradas pelo cartunista Ziraldo, as cartilhas podem ser acessadas virtualmente e contribuem para o debate sobre a água como bem social e direito fundamental, assim como um fator decisivo para a erradicação da pobreza e sustentabilidade.

Assim, a participação das mulheres na gestão compartilhada das águas precisa ser garantida e deve ser objeto de luta por este direito ainda não conquistado. Falamos, então, sobre o protagonismo das mulheres, registrado no documentário do cineasta Carlos Pronzato “A Guerra da Água – Bolívia” (https://). Concluímos com uma moção em prol da Educação Ambiental, a ser implementada em rede como política pública nacional. E, finalmente, firmamos o compromisso com o passado, o presente e o futuro, na luta das mulheres contra as armadilhas ancestrais do patriarcado, incentivando as mulheres não só à participação, mas também a conquistar cargos de direção nos Comitês de Bacia Hidrográfica e cargos de poder nas instâncias municipais, estaduais, federais e latino-americanas.

Sabemos que não estamos sozinhas. Fortaleceremos os Coletivos de Mulheres e a Água, nossa Mãe Maior, nos abençoará com o batismo da espiritualidade e sabedoria, simbólico da sua dimensão sagrada, com as forças do Universo. Caminhemos!

Participaram desta Roda de Conversa: Alda Oliveira, Jacqueline Guerreiro, Minéia Santos, Luiza Sales, Otony Jr, Ketrily Silva, Ligia Melo, Marcio Menezes, Marina Bucar, Rita Braga, Fernando Henn, Samara Silva, Claucia Kapper, Juliana Prado, Rodolfo Bassani, Liara Padilha, Izaura Fischer, Suzana Paludo, Affonso Albuquerque, Daniel Alonso, Luiz Garcia, Sonia Lima, Emanuele Oliveira e Cristiane Martins.

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