Bom humor: Virtude maior?

Cultura é Notícia - Beatriz Dutra

“Na minha idade de ouro(…) a CORAGEM ocupava o primeiro lugar. A virtude maior. Coragem de amar e desamar, coragem de morrer e desmorrer, coragem da cólera, da tristeza (…) Mudei de pensar. Melhor ainda do que ter coragem é ter SENSO DE HUMOR -, dom mais raro. E mais nítido (…) O SENSO DE HUMOR é que nos impede de virarmos uma esponja de fel” (Lygia Fagundes Telles).

Uma vez mais, Lygia tem razão. Sabermos encontrar e manter o sorriso em meio ao mar de dificuldades que vivemos… Atravessarmos o caos à nossa volta, com equilíbrio e SENSO DE HUMOR, sem deixarmos de estar atentos e sermos solidários aos nossos semelhantes, é algo que exige conhecimento, arte e força de vontade. E mais que isso: exige a compreensão de que tudo é passageiro e está em constante mudança. Lembro Heráclito: “Tudo flui, tudo muda”… E Teresa de Jesus: “Nada te perturbe, nada te espante: tudo passa”… . E “quando compreendemos essa temporalidade, saímos da nossa condição de agonia constante e entramos em um processo longo de aceitação”, explica Monja Coen, que segue a linha do zen-budismo (cf. excelente matéria de Débora Gomes, publicada na revista “Vida Simples”, de set. 2017, edição 187). Ora, se tudo é passageiro, por que reclamarmos tanto? “Encontrar um estado de satisfação e contentamento com a nossa existência é nosso dever e direito de nascença”, assegura Monja Coen. E ainda ela: “Devemos aprender a aceitar que só porque as coisas não aconteceram como esperávamos não quer dizer tudo está acabado e que os próximos acontecimentos também serão frustrantes.”

“A vida é muito importante para ser levada a sério”… escreveu Oscar Wilde. Assim, importa é estarmos atentos em nossa caminhada, para seguirmos com uma certa descontração, um certo sorriso, uma certa leveza… E diante dos inesperados obstáculos, sempre que necessário, nos perguntarmos: Onde está o meu sorriso? Pra onde foi parar o meu bom humor? Onde eu perdi a capacidade de rir das minhas imperfeições? Oi ainda: “por que me irritar com isso se tudo é passageiro?”

O fato é que sendo mais tolerantes com as nossas próprias falhas, seremos mais tolerantes com as do nosso próximo. E, sabendo encontrar o sorriso, mesmo em situações difíceis, espalharemos bom humor, e, consequentemente a vida ficará muito mais agradável, mais leve, e muito menos difícil de ser vivida!

“Ah, o velho bem humorado, que alívio!”

Escreveu Lygia, sempre Lygia, a guiar-nos no caos

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Sobre o autor

Beatriz Dutra é poeta, “Cidadã Saquaremense” e membro da Academia de Letras Rio – Cidade Maravilhosa.