Trinta anos sem Drummond

Cultura é Notícia - Beatriz Dutra

“Vida e poesia são a mesma coisa”, escreveu Mario Quintana. Quer dizer que com trinta anos sem o grande poeta Carlos Drummond de Andrade, a vida ficou menos bela, menos mágica, menos esplendorosa? Bem, “tudo é, e não é…” diria Guimarães Rosa, porque foi-se o poeta mas permaneceram seus versos, seus poemas, sua poesia de beleza imorredoura:

“Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era frágil?”

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E agora José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora José?
e agora, você…

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“Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.”

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Amar o perdido
deixa confundido
este coração (…)
Mas as coisas findas
muito mais do que lindas,
essas ficarão.

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“No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.”

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O chão é cama para o amor urgente,
o amor que não espera ir pra cama.
Sobre o tapete ou duro piso, a gente
compõe de corpo e corpo a úmida trama.
E para repousar do amor, vamos à cama.

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“Se procurar bem você acaba encontrando.
Não a explicação (duvidosa) da vida,
Mas a poesia (inexplicável) da vida.”

Felizmente a obra de Drummond ficou, permaneceu e permanecerá nos nossos corações e nos corações de gerações vindouras, ajudando-nos a viver melhor. Porque “poesia é remédio contra sufocação”, escreveu Guimarães Rosa. E motivos para nos sufocar e tirar o brilho dos nossos dias não nos faltam… Assim, são os bons poetas, ETERNOS… “Porque a poesia purifica a alma / … e um belo poema – ainda que de Deus se aparte – / sempre coloca o Poeta face a face com Deus! (Mario Quintana).

Ps. Drummond faleceu no Rio de Janeiro, no dia 17 de agosto de 1987, doze dias após o falecimento de sua filha, a escritora Julieta Drummond de Andrade. Mas sua escultura, na orla de Copacabana, todos os dias recebe o carinho e confidências desse povo que sempre terá sua poesia e sua lembrança na memória e no coração.

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Sobre o autor

Beatriz Dutra é poeta, “Cidadã Saquaremense” e membro da Academia de Letras Rio – Cidade Maravilhosa.