Agradecer faz bem?

Cultura é Notícia - Beatriz Dutra

Sim, “agradecer faz um bem danado! A gratidão anda de mãos dadas com a felicidade, transforma seu olhar diante da vida e, de quebra, ajuda a manter bem longe a tristeza e a angústia”. Foi o que li em excelente texto de Liane Alves, jornalista e estudiosa das terapias de autoconhecimento, na revista “Vida Simples”, de junho/2014, edição 145.

Mas em que consiste a GRATIDÃO? Para Houaiss, gratidão é “o reconhecimento de uma pessoa por um alguém que lhe prestou um benefício, um auxílio, um favor etc.” Mas vejam o que diz Liane Alves, poeticamente: a gratidão “é um encantamento, um rendimento diante da beleza e do mistério da vida. Alguém, ou algo, lhe toca e você se torna um maravilhado. O peito se enche de alegria. A alma resplandece. Ou, silenciosamente, é tomada pela ternura. Um presente foi ofertado pela existência e você se inclina em agradecimento, em estado de graça. Não é por acaso que as palavras graça e agradecer têm a mesma raiz”.

“No entanto, é necessário nos tornarmos sensíveis e atentos para perceber como a vida oferece dádivas sem nos darmos conta. É preciso parar e olhar em volta, com foco. Respirar fundo, deter-se no meio da correria”… continua ela. Para Liane, a gratidão nos ajuda, de fato, no encontro do que tem valor nessa vida. E esse sentimento, ao que tudo indica, já aparece em idades “muito tenras”. “A gratidão surge na infância, quando se tem carência de alguma coisa importante, e essa falta é preenchida inesperadamente por alguém”, garante a escritora Helena Gerenstadt.
Incrível é como o pensamento do filósofo holandês, do século XV, SPINOZA “tem muitos pontos em comum” com os resultados de estudos atuais (na área da ciência), sobre o tema, como o observa o médico Marcello Árias Danucalov, médico, neurobiólogo e estudioso do pensamento do filósofo. Para SPINOZA, somos controlados pelas emoções, que ele chamava de “afetos” – alegres ou tristes, “De acordo com ele, a razão só surgiria depois da manifestação das emoções, para justificá-las”, diz Danucalov. “Para o pensador holandês, o ser humano não consegue se libertar do domínio das emoções. Mas ele pode escolher desenvolver ou estimular aquelas que são mais positivas (afetos alegres), em detrimento das mais negativas (afetos tristes). E afirmava também, que as emoções negativas retiram todo o nosso entusiasmo pela vida, e nos tornam sem vigor. Já as alegres, como a gratidão e o amor, estimulam nossa existência e contribuem para a manifestação do brilho interior”.

O que Spinoza propunha há quase 400 anos coincide com as conclusões da neurobiologia atual. “As emoções POSITIVAS, como a gratidão, liberam substâncias no organismo que produzem sensação de bem-estar e leveza. Já as geradas pelas emoções NEGATIVAS, podem ocasionar sérios danos ao corpo se estiverem presentes na circulação por muito tempo”, afirma o neurobiólogo. “É a única escolha real que temos: saber as emoções que vamos estimular na nossa vida, já que, como dizia SPINOZA, sempre seremos dominados por elas”… “O que poderia nos ajudar nesse processo? Técnicas de meditação, ioga, tai-chi, o contato com a natureza, o convívio com gente positiva e a doação voluntária do seu tempo para uma instituição. E também rezar para AGRADECER – e não apenas para pedir”.
E conclui Marcelo Danucalov: “A resposta mais sábia diante da vida é não apenas aceitar o mundo como ele é, mas contribuir para fazê-lo um lugar mais aprazível.”

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Sobre o autor

Beatriz Dutra é poeta, “Cidadã Saquaremense” e membro da Academia de Letras Rio – Cidade Maravilhosa.