O descanso de um guerreiro: Nelson Nunes

Nelson no desfile do Magno (foto: Edimilson Soares)

Poucos homens foram tão admiráveis como o oficial da Marinha Mercante e sindicalista Nelson Nunes, pai da dentista Dra. Patrícia Balinski, com consultório em Jaconé. Casado com a artista plástica Míriam, durante cerca de 50 anos viveu em harmonia com a esposa e a família, sempre alegre, carnavalesco, uma liderança no bairro que escolheu para viver nos últimos 30 anos. Nelson sempre foi uma figura carismática. Dono de impressionante sensibilidade, sabia conduzir os moradores em busca da melhor solução para todos. Solidário, foi um dos fundadores da primeira Associação de Moradores de Jaconé. Antenado com o futuro, doou o terreno para construir o DPO, o Posto da Polícia que existe até hoje na Rua 96, principal artéria da localidade.

Nelson foi também um festeiro, grande incentivador do carnaval que hoje é considerado o melhor de Saquarema. Fundador dos blocos do Magno e Camarão, participou intensamente das atividades do hoje extinto Sirikissamba e de outros blocos também. Como sindicalista, foi fundador e um dos mais destacados dirigentes do Sindicato Nacional dos Oficiais da Marinha Mercante (Sindmar), tendo uma atuação relevante na greve de 1987, no retorno à democracia depois do regime militar. Conhecido como Gina, apelido que trouxe desde a adolescência, quando ainda morava na Lapa, na subida para Santa Teresa, no Rio, Nelson era então chefe de máquinas da Aliança Navegação, numa época em que fazer greve era crime. Ex-aluno do Colégio Militar, Nelson encontrou na carreira de marítimo sua missão de vida. Legou à filha Patrícia, que estudou na Alemanha, o gosto pelas viagens pelo mundo. À sua esposa, Míriam, deixou a lembrança de uma convivência sempre amorosa e fiel.

Ultimamente, Nelson estava lendo sobre Gengis Khan, o grande guerreiro mongol do século 13, que dominou um território estimado em 20 milhões de km2, o equivalente a 2,3 vezes o tamanho do Brasil. Foi o imperador que mais territórios conquistou na história. Era um estrategista. E foi nesse espelho que Nelson se mirava nos últimos dias, quando ainda sonhava com melhores condições de vida para todos os brasileiros.

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Sobre o autor

Dulce Tupy é editora do jornal O Saquá e da Tupy Comunicações.