Hélcio Pereira Fortes

Um jovem guerreiro assassinado pela ditadura militar e civil foi homenageado na sede do PDT no Rio

Na sede do PDT-RJ, houve o lançamento do livro Hélcio, organizado pelo irmão Délcio, e apresentação do Movimento de Apoio aos Anistiados e Anistiandos (Foto: Divulgação/PDT)

Sergio Caldieri*

A Comissão Pró Anistia do PDT promoveu no Instituto Leonel Brizola – Alberto Pasqualini, o lançamento do livro “Hélcio, a trajetória de um revolucionário”, sobre um dos principais comandantes da ALN (Aliança Libertadora Nacional), assassinado no Doi/Codi em São Paulo, em 1972, aos 24 anos. Organizado por seu irmão, Délcio Fortes, o livro reúne depoimentos de vários militantes que conviveram com Hélcio. Realizado na sede do PDT, no Rio de Janeiro, o evento foi coordenado por Adail Ivan de Lemos e Maria José Latge Kwamme. Na ocasião, foi feita a apresentação do Movimento de Apoio aos Anistiados e Anistiandos.

Hélcio Pereira Fortes foi um dos principais dirigentes da Corrente/MG, uma dissidência do PCB (Partido Comunista Brasileiro) que, após sofrer inúmeras prisões em 1969, se incorporou à ALN. Mudando-se para o Rio de Janeiro, Hélcio pertenceu ao comando regional e à direção nacional da organização fundada por Carlos Marighella. Na clandestinidade, escrevia cartas à família, em que expressava saudade e as razões que o levaram a optar pela luta armada. Sua última mensagem foi no Natal de 1971. Em janeiro de 1972, foi preso no Rio, onde passou pelo DOI-CODI/RJ, um centro de prisão e tortura, sendo levado, em seguida, para o DOI-CODI/SP, onde morreu. Os órgãos de segurança o acusavam de participação em várias ações armadas, inclusive de um assalto à Casa de Saúde Dr. Eiras, onde foram mortos 3 vigilantes.

Torturado até a morte

Capa do livro do Délcio

Na versão oficial de sua morte, o exame do IML (Instituto Médico Legal) de São Paulo informou que “após travar violento tiroteio com os agentes dos órgãos de segurança, foi ferido e, em conseqüência, veio a falecer”. Esta versão distribuída à imprensa informava que Hélcio tentara fugir dentro da rodoviária de São Paulo, morrendo ao resistir à prisão. No entanto, dentre os ferimentos à bala descritos pelos legistas, um caracteriza execução. Também o depoimento da militante da ALN Darci Toshiko Miyaki, presa no DOI-CODI/RJ e removida junto com Helcio para São Paulo, desmente esta versão.

Darci revelou que foi encapuzada e, num corredor, através de uma costura esgarçada do capuz, viu Hélcio encostado na parede. Os dois foram transportados na mesma viatura, Hélcio no “chiqueirinho”, atrás, e ela na frente, entre o motorista e um agente. Em São Paulo, foi colocada em uma cela isolada, no segundo andar, onde ficou por vários dias e dali ouvia os gritos de Hélcio sendo torturado. Depois, ao ser conduzida para uma solitária, ouviu do carcereiro que daquele local havia saído um “presunto fresquinho”. Darci tem convicção de que o corpo retirado da solitária era o de Hélcio, pois a partir de então não ouviu mais seus gritos.

O corpo de Hélcio foi enterrado no Cemitério de Perus, em São Paulo. Somente em 1975 foi possível à família levar os seus restos mortais para Ouro Preto, onde está enterrado na Igreja São José. No lançamento do livro, promovido pelo PDT, houve depoimentos dos ex-militantes da ALN: Carlos Fayal, Geraldo e Guarani. Na ocasião, Edir Inácio da Silva falou sobre seu depoimento na Comissão da Verdade. Estiveram também presentes os ex-presos políticos e exilados, Eli Eliete e Pedro Alves Filho.
* Jornalista, escritor e diretor do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio de Janeiro (SJPERJ)

 

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