Amenidades?

Cultura é Notícia - Beatriz Dutra

Perplexidade, desalento, indignação e incertezas… eis os nossos sentimentos nos dias atuais… A ousadia no meio político exorbitou, tendo chegado a níveis inimagináveis… E agora? Onde está a saída? Depois de termos deixado a ditadura e duramente reconquistado a Democracia, a única saída honrosa para esta aguda crise só pode ser via Constituição Federal – a Lei das leis.
Enquanto isso, necessário se torna revigorarmo-nos e fortalecermos o nosso espírito para suportarmos tantas iniquidades. E para o fortalecimento do espírito só vejo dois caminhos: a Arte e a Fé. Sim, a Arte, seja ela qual for. Lembro de versos nos “anos de chumbo”: “Faz escuro mas eu canto”…// “E no entanto é preciso cantar… Mais que nunca é preciso cantar… É preciso cantar pra alegrar a cidade”… (Vinicius de Moraes).

“Refugia-te na Arte”, diz-me Alguém / Eleva-te num voo espiritual (…) escreveu Florbela Espanca, há tanto tempo atrás… “É na Arte que o homem se ultrapassa definitivamente”, corajosamente escreveu Simone de Beauvoir; e Göethe também deu preciosa colaboração: “Não existe meio mais seguro para fugir do mundo do que a ARTE, e não há forma mais segura de se unir a ele do que a ARTE”.

Com a Arte, pois, fortalecemos nosso espírito, mesmo em períodos de crise aguda, como o que estamos vivendo. Com a Arte e com a Fé. Trago aqui, por oportuno, as palavras de Teresa de Jesus, da época renascentista: “Nada te perturbe, nada te espante. Tudo passa, só Deus não muda. Quem a Deus tem, nada lhe falta!” E se Deus é brasileiro, como tantos proclamam, este “gigante pela própria natureza” não sucumbirá. Terá forças para se reerguer e com ele, reerguer-nos-emos também. Tantas as crises já vencidas ao longo da sua história, que, com fé e esperança, esta crise também será debelada!…

Termino com as palavras da arte literária de Josué Montello: “A fé é a mais bela das esperanças”; e Erico Verissimo: “Antes de Mussolini e de Stalin já existiam as estrelas e depois que eles tiverem passado elas ainda continuarão a brilhar”. (…) “Olha as estrelas. Enquanto elas brilharem haverá esperança na vida.”

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Sobre o autor

Beatriz Dutra é poeta, “Cidadã Saquaremense” e membro da Academia de Letras Rio – Cidade Maravilhosa.