Enquanto sopra um jato de justiça em Araruama, aqui prolifera o nepotismo

Editorial - Dulce Tupy

O município vizinho de Araruama, uma referência histórica para Saquarema, vive atualmente a esperança de que seja feita justiça, desde que a juíza eleitoral Alessandra de Souza Araújo determinou a cassação do mandato da prefeita Lívia de Chiquinho, por fraudes nas eleições de 2016. O julgamento que estava sendo aguardado desde o ano passado promoveu uma reviravolta, com a cassação do ex-prefeito Chiquinho, que elegeu sua mulher Lívia, mas vinha exercendo de fato o Poder Executivo Municipal, conforme comprovado através de reportagem do SBT, escancarada na televisão. Hoje, o ex-prefeito já não pode mais despachar na Prefeitura, como vinha fazendo antes. E o quadro político local aponta para uma nova eleição em Araruama, embora haja recurso impetrado pela prefeita.

Em Saquarema, a situação da atual prefeita Manoela Peres é semelhante, mas não é igual. Na eleição de 2016, Manoela foi lançada candidata para substituir seu marido, o ex-prefeito Peres Alves, que não podia concorrer devido a sua condenação no famoso “Processo da Máfia dos Sanguessugas” que fraudou a compra de ambulâncias. Cassado, Peres abriu mão de sua candidatura e lançou sua mulher como estratégia para voltar ao poder com outra cara e nome. Em um panfleto distribuído na ocasião, Peres escancarava: “Peres é Manoela e Manoela é Peres”. Não há dúvida de que a intenção era mascarar o verdadeiro motivo da substituição: Peres voltar ao poder de qualquer maneira, como primeiro “damo”, ou primeiro cavalheiro, como acabou ocorrendo, tornando-se em seguida secretário de governo, num caso típico de nepotismo.

Eleita, mas sem nenhuma experiência política, Manoela recorreu aos familiares para montar seu governo. Como procurador geral, nomeou seu cunhado Antonio Francisco Alves Neto, o ex-vereador Chico Peres, e como chefe de gabinete sua cunhada Ana Amélia Alves Quintanilha. Segundo informações obtidas no Diário Oficial e comentários que correm soltos na Câmara Municipal e na própria sede da Prefeitura, em outros cargos da máquina pública Manoela nomeou seu cunhado Paulo Luiz de Oliveira para trabalhar na administração e suas cunhadas, Denise e Fátima Alves, na Secretaria de Educação e Cultura, assim como seu irmão Daniel, na Secretaria de Esporte e Turismo, sua sobrinha Milla, na Secretaria de Saúde, e até mesmo sua mãe, numa creche em Itaúna.

É sempre bom lembrar que o Brasil depois da Operação Lava-Jato já não é o mesmo. “A Justiça tarda mas não falha”, diziam os antigos. Hoje, se verifica que “o vento que bate lá, bate cá”. “Pau que bate em Chico, bate em Francisco”… São ditados antigos que, na sabedoria popular, permanecem desde os tempos coloniais. É preciso passar este país a limpo em todos os níveis: federal, estadual e municipal. Até quando vamos assistir essas infustiças?

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Sobre o autor

Dulce Tupy é editora do jornal O Saquá e da Tupy Comunicações.