Os 100 anos do samba serão comemorados em Saquarema

Editorial - Dulce Tupy

Há 100 anos, o sambista Donga, frequentador assíduo das rodas de samba na casa de Tia Ciata, uma baiana que morava na Praça Onze, no Rio, registrou na Biblioteca Nacional como sendo seu samba, com letra do jornalista Mauro de Almeida, uma criação coletiva que chamou de “Pelo Telefone”, com versos improvisados, que faziam a crônica musical da cidade naquela época. Em 1916, o Rio de Janeiro era uma cidade em expansão, quando ainda não havia desfiles de escolas de samba e os ranchos eram a grande novidade nos carnavais. A casa da Tia Ciata ficava na chamada Pequena África, perto do Campo de Santana, bairro onde moravam, além dos negros, judeus, ciganos, polacas (prostitutas) e outras minorias. Era o Rio se consolidando como capital da república, antes da existência do rádio, que só surgiria no Brasil em 1922. O telefone era então a grande tecnologia disponível para alguns afortunados, uma novidade!

O “Pelo Telefone”, registrado como samba e gravado por Bahiano e Coro, na Casa Odeon, ficou marcado na história como o primeiro samba gravado, porém pelo menos 2 sambas foram gravados antes: “Em casa de baiana”, de Alfredo Carlos Brício, em 1913, e “A viola está magoada”, do próprio Bahiano, em 1914, que gravaria em 1916 o famoso “Pelo Telefone”. Porém, o “Pelo Telefone” alcançou grande sucesso no carnaval de 1917, vindo a se consagrar como marco do samba que, na verdade, já existia há muito tempo. Segundo o cronista e compositor Orestes Barbosa, já eram sambas todos os tangos que substituíram a valsa, na virada do século 19 para o século 20, assim como também eram sambas a polca, o lundu e o maxixe, da época do imperador.

O “Pelo Telefone”, com recentes gravações de Martinho da Vila e de Gilberto Gil, tornou-se um marco por sua popularidade e porque consolidou o principal gênero musical do país – o samba – hoje patrimônio imaterial dos brasileiros. No dia 1° de dezembro, quinta-feira, véspera do Dia Nacional do Samba, às 17 horas, haverá uma palestra sobre o samba, com participação de violonistas e outros artistas que irão mostrar o samba desde sua origem aos dias atuais.

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Sobre o autor

Dulce Tupy é editora do jornal O Saquá e da Tupy Comunicações.