DRUMMOND POR ELE MESMO

Cultura é Notícia - Beatriz Dutra

Considerado por Manuel Bandeira “o maior poeta que o Brasil já teve”, ele era avesso a entrevistas. Chegou mesmo a afirmar: “Não dou entrevista.” Mas, ao longo da vida, atendeu a vários pedidos para tal. E no oportuno livro da “Coleção Encontros”, organizado por Larissa Pinho Alves Ribeiro, há 18 entrevistas reunidas e concedidas a expressivos nomes nacionais, como: Peregrino Jr., Geir Campos, Pedro Block, Fernando Sabino, Zuenir Ventura, Leda Nagle, Edla Van Steen, Fábio Lucas, Mario Chamie, Sábato Magaldi, Bella Joseph, Maria Julieta Drummond de Andrade, Geneton Moraes Neto e outros. Nelas, CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE revela muito dos seus pensamentos e sentimentos. Um primor de livro, esse “Encontros / Carlos Drummond de Andrade”.

E se o Poeta “não fosse de todo sisudo, grave e avesso a entrevistas como se costuma pensar? E se descobríssemos que Carlos Drummond de Andrade gostava de passar trotes e varar noites arrancando placas de dentistas, advogados e médicos?” Indaga Larissa Ribeiro. E continua ela: “É essa faceta pouco conhecida do poeta que podemos ler nas 18 entrevistas reunidas nesse livro. Concedidas entre 1927 e 1987, elas revelam um Drummond conversador, irônico e “inteiramente otimista. Sem deixar de ser pessimista com relação à vida”, como declarou certa vez.”

Eis alguns trechos das entrevistas: “A palavra, para mim, é tudo. Minha ferramenta de trabalho e o produto desta ferramenta. Não desconfio dela, mas de minha capacidade de usá-la com propriedade, o rigor e a sutileza que o trabalho literário deve exigir do escritor”. / – Gosta de política? – O menos possível… / – É fato que já pertenceu ao Partido Comunista? – Não. Namorei mas logo vi que o casamento era impossível. / Nunca pensou em candidatar-se a cargos eletivos? – Nunca. E no dia em que eu cair em tentação é favor não votarem em mim… / – Como é que o senhor consegue conciliar a felicidade individual com a culpa social por causa de um mundo injusto? – Felicidade pessoal é exagero. Prefiro serenidade pessoal, marcada por alguns relâmpagos, porque de vez em quando perco a paciência… Nunca entendi bem o mundo, acho o mundo um teatro de injustiças e de ferocidades extraordinárias. Dizer que nós evoluímos desde o homem das cavernas é um pouco de exagero, porque criamos, com a tecnologia, aparelhos mais sofisticados para a felicidade do mundo e esses aparelhos estão sendo utilizados para a sua destruição. Isso não é civilização, francamente. Isso é uma porcaria…

Drummond: sempre atual e imprescindível!!!

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Sobre o autor

Beatriz Dutra é poeta, “Cidadã Saquaremense” e membro da Academia de Letras Rio – Cidade Maravilhosa.