Crise no estado derruba caciques políticos

No Rio, Eduardo Paes não fez o seu sucessor

No Rio, Eduardo Paes não fez o seu sucessor

Garotinho também não fez sucessor em Campos

Garotinho também não fez sucessor em Campos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Rio de Janeiro está entre os estados que mais sofreram com a forte correnteza que trouxe uma grande rejeição à política tradicional. Sugerida pelas pesquisas qualitativas e ratificada nas urnas, a refeição aos políticos foi geral. A prova mais clara disto ocorreu com o eleitorado paulistano onde, pela primeira vez, desde a redemocratização do país, alguém ganhou eleição, na maior cidade brasileira, logo no 1° turno. O prefeito eleito de São Paulo, João Dória (PSDB), se apresentava como candidato tucano assim: “Não sou político, sou gestor”! Um comportamento sintonizado com o movimento de rejeição à classe política em todo o Brasil, refletido nos elevados índices de abstenções, votos brancos e nulos.

Outra conclusão dos números desta eleição é que, enquanto a crise na representação política tornou o eleitor cada vez menos interessado em votar, ficou cada vez mais nítida a necessidade de mudanças que reduzam os partidos políticos. Na capital do Rio de Janeiro, o bloco dos 3 (abstenções, votos brancos e nulos) foi de 42,5%, quase a soma da dupla vitoriosa que foi para o 2° turno: Crivella (PRP) e Freixo (PSOL)! Foi a maior abstenção desde 1966.

Às vésperas da eleição, uma manchete em grande jornal da imprensa fluminense – “Crise se agrava e estado não sabe quando inicia o pagamento de setembro do funcionalismo” – com certeza influenciou o eleitorado. As notícias sobre a realidade do Rio de Janeiro, com os pagamentos do funcionalismo e dos fornecedores atrasados, sem perspectiva de data para o pagamento do 13° salário, hospitais com poucas condições de atendimento, restaurantes populares fechados e escolas técnicas funcionando precariamente, abalou os eleitores em todo o estado. Esta situação aparece nas pesquisas qualitativas como a principal responsável pela significativa percentagem de intenção de votos dos servidores estaduais em candidatos de partidos de oposição, ou em branco ou nulo.

Maior derrota foi no Rio

O quadro se agravou ainda mais com o fato de caciques peemedebistas no estado serem citados em delações da Operação Lava-Jato. Apesar dos gigantescos esquemas de corrupção montados pelo PT terem provocado a ira dos eleitores em todo o país, daí o alto índice de abstenções, votos brancos e nulos, uma estrondosa exceção ocorreu em Maricá, onde o prefeito e presidente estadual do partido, Washington Quaquá, implantou um sistema de transporte coletivo gratuito e arrebatou para o seu sucessor, o petista Fabiano Horta, nada menos que 96,12% dos votos válidos (39.128 votos).

Por outro lado, o prefeito da capital, Eduardo Paes (PMDB) foi um grande derrotado ao ver seu afilhado político Pedro Paulo não conseguir chegar ao 2° turno, ficando em 3° lugar. Mas o Paes não foi o único cacique do PMDB na política fluminense que não conseguiu eleger seu candidato. O governador licenciado Luiz Fernando Pezão não emplacou Tutuca na Prefeitura de Piraí, onde o atual prefeito, Dr. Luiz Antônio (PDT) foi reeleito com 51% dos votos. Já o líder do governo estadual na Assembleia Legislativa, deputado Edson Albertassi também perdeu a eleição para prefeito de Volta Redonda, pois sua candidata, América Teresa, teve apenas 22% dos votos, ficando fora do 2° turno.

Em Nova Iguaçu, o prefeito peemedebista Nelson Bornier disputou a reeleição e ficou bem aquém do 1° colocado, Rogério Lisboa (PR), já absolvido da impugnação pelo TRE. As eleições deste ano também levaram à derrota o ex-governador Anthony Garotinho (PR) que viu seu clã perder poder em Campos de Goytacazes, reduto eleitoral da família. O seu candidato Dr. Chicão, primo e vice da prefeita Rosinha, foi derrotado no 1° turno por Rafael Diniz (PPS) que conseguiu 55% dos votos válidos.

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