Abstenção, votos brancos e nulos no silêncio das urnas

Opinião - Silênio Vignoli

O eleitor tem toda razão para estar descontente. Os motivos são muitos para a desilusão. Vivemos num país envolvido por uma significativa crise entre representantes e representados. Aliás, o mundo inteiro vive um desencanto com os processos políticos tradicionais. O poder está dominado pelas oligarquias partidárias, incapazes de entender a velocidade da transformação por que passa o mundo atual. No Brasil, também acontece isto, acrescido pelas tenebrosas transações dos políticos para financiar suas campanhas e até, em muitos casos, enriquecer pessoalmente.

Vinte e cinco milhões de brasileiros não compareceram para votar. Além disso, há os votos em branco e nulos que, só nas capitais, somaram 3,7 milhões, maior que a votação do primeiro colocado em 10 capitais. O silêncio dos que não quiseram opinar nas eleições precisa ser devidamente considerado. Este desinteresse é preocupante, chegando a 42% no Rio, 38% em São Paulo e Porto Alegre. A média no Brasil ficou em 30%. A democracia brasileira precisa interpretar corretamente esta silêncio. A alienação eleitoral constituída por tantos ausentes e pelos que votaram nulo e branco chegou a 43,14% em Belo Horizonte, capital de um estado em que o debate político sempre se desenrolou de forma acalorada.

Ar unas do dia 2 de outubro de 2016 transmitiram vários recados ao Brasil. Um deles ao PT, demonstrando claramente que a tese do golpe, embora muito propagada em certos meios intelectuais e em diversos países, não foi comprada pelo eleitor brasileiro. A derrota avassaladora do PT foi nacional, ampla, geral e irrestrita. Se a direção do partido continuar passando aos militantes o mesmo discurso autocomplacente de que é vítima das elites, da mídia, do Ministério Público e do juiz Sérgio Moro, não sairá tão cedo de onde está. O PT precisa de autocrítica e de uma estratégia de superação e renovação. Não pode continuar achando que basta terceirizar suas culpas, encontrando um inimigo externo, e esperando que uma nova candidatura presidencial de Lula, em 2018, vá resgatar o partido da crise.

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Sobre o autor

Silênio Vignoli é editor adjunto do jornal O Saquá.