Polícia na casa de Peres busca provas da doação de terrenos

O vereador Chico Peres, seguido de perto pelo advogado Claudius Valerius, deixando rapidamente a delegacia onde as testemunhas foram depor. Foto: Edimilson Soares

O vereador Chico Peres, seguido de perto pelo advogado Claudius Valerius, deixando rapidamente a delegacia onde as testemunhas foram depor. Foto: Edimilson Soares

A operação policial “Afilhados da Sorte” foi desencadeada no dia 5 de maio, na casa do ex-prefeito Antonio Peres, entre outros 7 investigados. Policiais da 124ª Delegacia, Saquarema, cumpriram o mandato de busca e apreensão decorrente da CPI da Doação de Terrenos, encaminhada pela Câmara Municipal ao Ministério Público e à Delegacia. A decisão do juiz da 2ª Vara (Criminal) da Comarca de Saquarema, Dr. Ricardo Pinheiro Machado, que autorizou o mandato de busca e apreensão, caiu como uma bomba na cidade, gerando uma série de boatos.

Na porta da 124ª Delegacia, um advogado e uma vizinha descrentes diziam: “aqui sempre teve doação de terrenos, todo mundo sabe! Será que desta vez eles serão punidos?”
Por volta das 6 horas da manhã, viaturas da polícia civil cercaram a mansão do ex-prefeito em Itaúna, mas ações policiais também foram feitas em Araruama e Niterói. Nesta primeira fase da operação “Afilhados da Sorte”, os agentes cumpriram 8 mandatos, para dar continuidade às investigações sobre a fraude da doação de terrenos promovida por Peres, entre 2001 e 2008, em seus 2 mandatos como prefeito.

Na casa de Peres foram encontrados termos de doação dos terrenos, que deveriam estar com a prefeitura ou com os próprios beneficiários. Segundo as investigações, o ex-prefeito desapropriava terrenos e doava em troca de votos para parentes, amigos e pessoas de sua confiança, que construíam casas que valorizavam os terrenos e depois os vendiam. A polícia também cumpriu mandados de busca e apreensão na Prefeitura de Saquarema. Algumas testemunhas foram conduzidas coercitivamente à delegacia, para prestar depoimentos.

Durante toda a manhã foi um entra e sai na delegacia, enquanto o vereador Chico Peres, irmão do ex-prefeito, e seu sócio e advogado Claudius Valerius permaneciam no recinto, atendendo as testemunhas e falando com o delegado. Muitas pessoas, por curiosidade, passavam na porta da delegacia, a pé ou de carro. O próprio ex-prefeito Peres passou no seu “carrão” com motorista e ironizou em voz alta o trabalho da imprensa, que se concentrava na calçada dizendo: “o circo está armado”!

Só se ele mesmo for o palhaço…

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Sobre o autor

Dulce Tupy é editora do jornal O Saquá e da Tupy Comunicações.