Energia eólica e energia solar apontam para o futuro do Brasil

Editorial - Dulce Tupy

Ano passado, realizou-se em Paris, na França, a Conferência do Clima (COP 21), quando mais de 190 países assinaram um acordo mundial para conter o aquecimento global abaixo dos 2ºC (2 graus centígrados), até ao final do século 21, visando reduzir os impactos ambientais, especialmente o efeito estufa, para tentar salvar o futuro comum da humanidade e garantir o desenvolvimento sustentável. Esse limite de 2ºC foi acordado pela primeira vez em 2009, em Copenhague (Dinamarca), e no ano seguinte foi aprovado na Cúpula do Clima em Cancún (México). De lá para cá, se intensificaram as negociações entre os países para manter a meta dos 2°C. Porém, esta meta traz embutida a urgência em gastar cada vez menos energia “suja”, como o carvão e o petróleo, e priorizar cada vez mais o uso da chamada energia “lim­pa”: energia eólica, dos ventos, energia solar e biomassa, como a cana-de­-açúcar.
A concentração de gases na atmosfera vem aumentando a cada ano por causa da ação humana, principalmente devido à queima de combustíveis fósseis (petróleo e carvão), além do desmatamento acelerado, resultando no lançamento de gás carbônico. O excesso desses gases faz com que parte dos raios solares não consigam voltar para o espaço, provocando uma elevação na temperatura do planeta, o temível aquecimento global. Segundo o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) da ONU (Organização das Nações Unidas), se nada for feito e o mundo continuar no rumo atual, poderá haver um aumento da temperatura de até 4ºC (quatro graus centígrados) no final deste século, o que seria um desastre! Hoje, grandes impactos já podem ser observados: quase metade das calotas polares do Ártico já derreteram; milhões de hectares de árvores no oeste americano morreram devido a pragas relacionadas com o calor; e os maiores glaciares no oeste da Antártida, com dezenas de milhões de metros cúbicos de gelo, já estão desaparecendo.

 

No sul do Brasil
o maior parque de
energia eólica da
América Latina

Considerado um dos países com maior potencial energético, o Brasil vem dando os primeiros passos na direção da energia limpa. No ano passado, a presidenta Dilma Rousseff inaugurou no Rio Grande do Sul o Parque Eólico de Geribatu e o Sistema de Transmissão Associado Santa Vitória do Palmar. O Geribatu é o maior dos 3 parques que compõem o Complexo Eólico Campos Neutrais, o maior da América Latina. Os outros dois são Chuí e Hermenegildo, em fase de implantação. O complexo tem capacidade para atender ao consumo de cerca de 3,3 milhões de habitantes. O parque eólico em Santa Vitória do Palmar, no extremo Sul gaúcho, atende ao consumo energético de aproximadamente 1,5 milhão de habitantes. Os empreendimentos entregues – parque eólico e sistemas de transmissão associados – estavam previstos no PAC2 e somam R$ 2,1 bilhões em investimentos. Em parceria inédita com o Uruguai, o Brasil inaugurou também a primeira etapa do Parque Artilleros. Juntos, Brasil e Uruguai poderão ter em breve uma “Itaipu Eólica”, um empreendimento de interligação elétrica que conecta os sistemas brasileiro e uruguaio. É uma importante contribuição, não apenas para os dois países, mas para todo o planeta.

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Sobre o autor

Dulce Tupy é editora do jornal O Saquá e da Tupy Comunicações.