Corrupção anula impacto dos discursos de Lula, Dilma e PT

Opinião - Silênio Vignoli

Bombardeado por um panelaço em pelo menos 14 capitais, o último programa do PT, que foi ao ar antes do Jornal Nacional, atestou a grande dificuldade do partido e de seu maior líder de reagirem ao descalabro provocado pelo “pixuleco” e pela variedade de “acarajés” com que o folclórico lulopetismo está afundando o país. E, agora, para enfrentar a possibilidade de seu afastamento, a presidente Dilma está arruinando ainda mais o país, ao chutar o balde fiscal e escancarar a feira dos cargos públicos, num balcão que só concretizará as transações com o baixo clero no Congresso após a votação do impeachment, numa explícita chantagem. É um modelo idêntico ao da nota de dinheiro partida ao meio, que o coronel político dava antes da votação e que só seria completada depois da vitória confirmada nas urnas. Ou o par de calçados, um pé de cada vez, para evitar a traição.
Os números revelados em 31 de março pela pesquisa CNI-Ibope não deixam dúvida sobre o alto grau de rejeição ao governo Dilma. Muito importante também é o resultado da pesquisa estratificada, realizada entre as famílias que têm renda mensal de até um salário mínimo, logo após as eleições, em dezembro de 2014, mostrando que a aprovação do governo Dilma mergulhou numa queda livre e que os entrevistados, no final daquele ano, pertencentes a esta classe social já percebiam a grande diferença entre o cenário veiculado pela propaganda governamental e a realidade que o país já estava enfrentando nos meses seguintes à reeleição. Se em dezembro de 2014 apenas 10% dos entrevistados nesta faixa de renda consideravam o governo Dilma péssimo e 7% o avaliaram como ruim, em março de 2015 o percentual de péssimo já havia subido para 47% e o de ruim para 13%.

Para Ibope, o
PT não é mais
nem o partido
dos pobres

Ou seja, o grupo de pessoas com rendimento de até um salário mínimo que considera o governo ruim ou péssimo saltou de 17% para 60% em apenas 3 meses e veio se mantendo neste patamar até a pesquisa de 31 de março. Neste grupo, 76% desaprovam a forma de Dilma governar. A conclusão é de que o governo Dilma é considerado ruim e péssimo pela maioria dos pobres brasileiros. Entre os entrevistados na região Nordeste, o percentual de ruim e péssimo está em 54%. Entre os que têm baixa escolaridade, 60% acham o governo Dilma ruim ou péssimo. E, assim, a base da pirâmide social que Dilma e Lula alegam estar defendendo os rejeita. Será que ambos, pelo menos, desconfiam por que será?
Dilma vendeu um país cenográfico na campanha pela reeleição, procurando camuflar os sinais da ruína econômica que brotaria logo depois das eleições; manipulou o preço da energia e mandou um tarifaço logo após o fechamento das urnas; provocou a pior recessão da nossa história. Além de seu governo ter envolvido o lulopetismo num gigantesco escândalo de corrupção.

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Sobre o autor

Silênio Vignoli é editor adjunto do jornal O Saquá.