Manifestações avassaladoras rejeitam Dilma, Lula e o PT

Opinião - Silênio Vignoli

Em menos de 5 horas, o impacto da condução coercitiva imposta ao ex-presidente Lula transformou-se em palanque político e o petista, que começou o dia “prisioneiro”, terminou como “candidato” à sucessão de Dilma: “Me senti ultrajado, mas precisava isto acontecer para o PT levantar a cabeça. Todo dia, alguém faz o partido sangrar. Tentaram matar a jararaca, mas não acertaram na cabeça, acertaram no rabo. E a jararaca está viva”. Como já é de praxe, a jararaca politiza tudo, sem dar qualquer resposta objetiva às questões concretas que a encurralam atualmente. Na medida que o tempo passa e as investigações da Lava-Jato se aprofundam, cresce a importância de sabermos exatamente como um programa de bons propósitos (justiça social, distribuição de renda e tantas outras louváveis intenções), além de uma faxina ética histórica na política brasileira, deu no que deu. A frustração é acachapante para qualquer um que, como eu, de boa fé, votou em Lula para presidente.
No último ano do primeiro mandato de Dilma, surgiu o grandioso escândalo do petrolão descoberto pela Lava-Jato. Algo de enorme impacto inclusive mundial. Na verdade, soube-se depois que o aparelhamento lulopetista na Petrobras transcorria paralelamente ao mensalão, já em 2003, no início do primeiro mandato de Lula. Não há mais dúvida de que havia um amplo esquema de ordenhamento sistemático de dinheiro público para financiar o extenso projeto de poder do PT, uma ambição que passou a frequentar a mente dos integrantes de vários grupos políticos, após a instituição da reeleição no governo Fernando Henrique Cardoso.

 

É impossível
desconsiderar
a importância
dos protestos

No mensalão ficou bem nítida a adoção de uma antiga tese revolucionária, segundo a qual “os fins justificam os meios”. Ou seja, valia a pena, para se manter no poder, rasgar os propósitos éticos alardeados pelo PT nos palanques. No petrolão prevaleceu a mesma tática. Mas, neste escândalo, surge um fato novo: o esbravejamento lulopetista diante das revelações das evidências dos malfeitos por parte de seu principal líder. A imagem de Lula foi arranhada, de acordo com pesquisa Datafolha. Mas ainda transparece alguma condescendência com o ex-presidente, uma espécie de intenção residual de voto, refletindo outro artifício de raciocínio para justificar as ilegalidades: “Ele merece porque reduziu a pobreza”. Ora, nada pode estimular o atropelamento da Lei, atingindo o próprio Estado Democrático de Direito. Independentemente do que possa acontecer pelos desdobramentos da Lava-Jato, se no mensalão firmou-se o princípio republicano de que todos são iguais perante a lei, o petrolão, além de enfatizar este mesmo conceito, precisa influir para a conscientização de que supostos ou verdadeiros avanços sociais não podem conceder salvo-conduto para atos criminosos. Até porque seria ressuscitar aquele indecoroso e conhecido slogan do populismo paulista, muito repetido na segunda metade do século passado, o “Rouba, Mas Faz”.

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Sobre o autor

Silênio Vignoli é editor adjunto do jornal O Saquá.